Diagnóstico de PBE: Critérios e Manejo Clínico

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2021

Enunciado

Homem, 56 anos de idade, dá entrada no Pronto Socorro com quadro de aumento do volume abdominal, acompanhado de dor. Relata etilismo de destilados diariamente, há muitos anos. Não faz uso de medicações. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, lentificado, com asterix, ictérico 2+/4, com PA: 110x70mmHg, T: 37,8°C, FC: 90bpm. Presença de telangiectasias em tronco, rarefação de pelos e ginecomastia. Ausculta sem alterações. Abdome globoso, com piparote presente e dor à palpação difusa.Em relação ao quadro clínico, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A presença de ≥ 250 polimorfonucleares por mm3 no líquido ascítico indica o diagnóstico de bacterascite.
  2. B) A ascite neutrofílica só deve ser tratada como peritonite bacteriana espontânea na presença de febre.
  3. C) A cultura do líquido ascítico positiva, isoladamente, exige o tratamento como peritonite bacteriana espontânea.
  4. D) O diagnóstico de peritonite bacteriana espontânea exige a positividade da cultura do líquido ascítico.

Pérola Clínica

PBE = Polimorfonucleares (PMN) ≥ 250/mm³ no líquido ascítico, independente da cultura.

Resumo-Chave

O diagnóstico de PBE é baseado na contagem de neutrófilos no líquido ascítico. A cultura é frequentemente negativa (PBE cultura-negativa), mas o tratamento deve ser iniciado se PMN ≥ 250.

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave em pacientes cirróticos com ascite, associada a alta mortalidade. A translocação bacteriana da microbiota intestinal para o líquido ascítico é o mecanismo central. O diagnóstico exige paracentese diagnóstica em todo paciente cirrótico internado com ascite ou que apresente sinais de descompensação. É importante notar que, embora algumas questões de prova possam focar na cultura, a neutrocitose (PMN ≥ 250) é o gatilho terapêutico principal nas diretrizes da AASLD e EASL.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos para PBE?

O diagnóstico padrão-ouro para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é a presença de uma contagem de polimorfonucleares (PMN) igual ou superior a 250 células/mm³ no líquido ascítico, na ausência de uma fonte intra-abdominal de infecção cirúrgica. Embora a cultura do líquido ascítico deva ser realizada, ela é negativa em até 40% dos casos que preenchem o critério de PMN, configurando a PBE cultura-negativa, que deve ser tratada da mesma forma.

O que é bacterascite e como diferenciá-la da PBE?

A bacterascite monomicrobiana ocorre quando a cultura do líquido ascítico é positiva para um único organismo, mas a contagem de PMN é inferior a 250/mm³. Se o paciente apresentar sintomas de infecção (febre, dor abdominal), deve ser tratado como PBE. Se for assintomático, uma nova paracentese deve ser realizada; se a cultura persistir positiva ou os PMN aumentarem, o tratamento é indicado.

Qual o tratamento de escolha para PBE?

O tratamento empírico de escolha são as cefalosporinas de 3ª geração, sendo a cefotaxima a mais estudada (2g IV a cada 8-12 horas). Além do antibiótico, é fundamental a administração de albumina humana (1,5g/kg no 1º dia e 1,0g/kg no 3º dia) para prevenir a síndrome hepatorrenal, especialmente em pacientes com disfunção renal ou bilirrubina elevada.

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