Peritonite Bacteriana Espontânea e Encefalopatia Hepática: Manejo

UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente masculino, 54 anos, portador de cirrose hepática por álcool. Chega ao plantão com história de aumento do volume abdominal há uma semana e confusão mental há um dia. Em uso de propranolol 40 mg 8/8 horas e espironolactona 100 mg ao dia. Ao exame clínico foi visto: PA=80x60 mmHg; FC=62 bpm. Consciente e orientado, Tremores tipo flapping. Abdome globoso, indolor, com ascite de moderado volume. Feita paracentese diagnóstica + exames laboratoriais. Resultados: Líquido ascítico: Hemáceas: 4.000 por campo; Glóbulos brancos: 950; Neutrófilos: 600; Linfócitos: 150; Células mesoteliais: 200; Sangue: Creatinina: 1,0; Uréia: 48; Sódio: 134 ;Potássio: 4,5. O paciente foi internado. Quais ítens devem estar na prescrição deste paciente?

Alternativas

  1. A) Ciprofloxacina; espironolactona e lactulose
  2. B) Ceftriaxona; propranolol; espironolactona; albumina endovenosa e lactulose
  3. C) Ciprofloxacina; albumina endovenosa; propranolol e lactulose
  4. D) Ceftriaxona; albumina endovenosa; espironolactona e lactulose
  5. E) Ceftriaxona; albumina endovenosa e lactulose

Pérola Clínica

Ascite + Neutrófilos > 250/mm³ no líquido ascítico + Encefalopatia → PBE + Encefalopatia Hepática. Tratar com Ceftriaxona, Albumina e Lactulose.

Resumo-Chave

O paciente apresenta peritonite bacteriana espontânea (PBE) devido à contagem de neutrófilos no líquido ascítico (>250/mm³) e encefalopatia hepática (confusão mental, flapping). A hipotensão e a bradicardia são sinais de gravidade. O tratamento da PBE inclui antibióticos (ceftriaxona) e albumina para prevenir a síndrome hepatorrenal. A lactulose é essencial para a encefalopatia hepática.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é uma doença crônica progressiva que leva a múltiplas complicações, incluindo ascite, peritonite bacteriana espontânea (PBE) e encefalopatia hepática. A PBE é uma infecção grave do líquido ascítico, caracterizada por uma contagem de neutrófilos ≥ 250 células/mm³, e é uma das principais causas de mortalidade em pacientes cirróticos. O tratamento da PBE é emergencial e consiste em antibioticoterapia empírica (geralmente cefalosporinas de terceira geração como a ceftriaxona) e administração de albumina endovenosa para prevenir a síndrome hepatorrenal. A encefalopatia hepática, manifestada por alterações neurológicas como confusão mental e flapping, é tratada com lactulose, que reduz a amônia sérica. É crucial monitorar a pressão arterial e a função renal, pois pacientes com cirrose avançada são propensos a hipotensão e disfunção renal. A profilaxia secundária da PBE com norfloxacino ou ciprofloxacino é indicada após o primeiro episódio.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O diagnóstico de PBE é estabelecido pela contagem de neutrófilos no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³ na ausência de uma fonte intra-abdominal de infecção cirúrgica.

Por que a albumina endovenosa é indicada no tratamento da PBE?

A albumina é administrada para prevenir a síndrome hepatorrenal, uma complicação grave da PBE, especialmente em pacientes com disfunção renal ou bilirrubina sérica > 4 mg/dL.

Como a lactulose atua no tratamento da encefalopatia hepática?

A lactulose reduz a produção e absorção de amônia no intestino, acidificando o cólon e convertendo a amônia em íons amônio, que são excretados nas fezes, melhorando os sintomas da encefalopatia.

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