UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020
A cirrose hepática é o estágio final da fibrose hepática progressiva, caracterizada pela distorção da arquitetura do parênquima e formação de nódulos de regeneração, sendo estas lesões consideradas irreversíveis em estágios avançados. Pacientes cirróticos possuem expectativa de vida reduzida, e estão sujeitos à diversas complicações, como síndrome hepatorrenal, carcinoma hepatocelular e peritonite bacteriana espontânea (PBE); quanto à esta última, é correto afirmar que:
PBE: Suspeita clínica (febre, dor abd, alt mental) + PMN > 250/mm³ no líquido ascítico → ATB empírico.
A PBE é uma complicação grave da cirrose com ascite. A suspeita clínica é crucial, e o início da antibioticoterapia empírica não deve esperar a confirmação microbiológica se houver sinais de infecção e contagem de polimorfonucleares no líquido ascítico > 250/mm³.
A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico em pacientes com cirrose hepática e ascite, sem uma fonte intra-abdominal óbvia de infecção. É uma complicação comum e potencialmente fatal, com alta taxa de recorrência e mortalidade significativa se não tratada prontamente. A fisiopatologia da PBE envolve translocação bacteriana do intestino para a circulação sistêmica e, subsequentemente, para o líquido ascítico, devido à disfunção da barreira intestinal e à imunodeficiência associada à cirrose. O diagnóstico é feito pela paracentese diagnóstica, com a contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico sendo o critério mais importante (≥ 250 células/mm³). Manifestações clínicas incluem febre, dor abdominal, alteração do estado mental e piora da função renal. O tratamento da PBE é uma emergência médica. A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente após a paracentese diagnóstica, sem aguardar os resultados da cultura, devido ao risco de rápida deterioração. Cefalosporinas de terceira geração (ex: ceftriaxona ou cefotaxima) são a escolha inicial. A profilaxia primária e secundária com antibióticos é indicada para pacientes de alto risco ou com histórico de PBE, respectivamente.
O diagnóstico de PBE é confirmado pela análise do líquido ascítico, que revela uma contagem de polimorfonucleares (PMN) maior ou igual a 250 células/mm³ e cultura monobacteriana positiva, ou suspeita clínica com PMN elevado.
A terapia antimicrobiana empírica deve ser iniciada imediatamente em pacientes com ascite e suspeita de PBE (febre, dor abdominal, alteração do estado mental) e/ou contagem de PMN no líquido ascítico ≥ 250/mm³, sem aguardar a cultura.
As bactérias mais frequentemente envolvidas na PBE são bacilos Gram-negativos entéricos, como Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, e, em menor grau, cocos Gram-positivos.
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