Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico e Manejo

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020

Enunciado

A cirrose hepática é o estágio final da fibrose hepática progressiva, caracterizada pela distorção da arquitetura do parênquima e formação de nódulos de regeneração, sendo estas lesões consideradas irreversíveis em estágios avançados. Pacientes cirróticos possuem expectativa de vida reduzida, e estão sujeitos à diversas complicações, como síndrome hepatorrenal, carcinoma hepatocelular e peritonite bacteriana espontânea (PBE); quanto à esta última, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) entre as manifestações clínicas estão febre, dor abdominal, rash cutâneo e alteração do estado mental.
  2. B) alguns fatores de risco estão associados à uma maior incidência da complicação, como bilirrubina total maior que 2,5mg/dL, Child acima de 9 e excesso de proteínas na dieta.
  3. C) como medidas de profilaxia estão indicadas uso de diuréticos, identificar e tratar infecções localizadas, restringir o uso de inibidores de bomba de prótons e manter uso de betabloqueadores.
  4. D) terapia antimicrobiana empírica deve ser iniciada em pacientes que não tenham diagnóstico confirmado, mas que apresentem dor abdominal, modificações do estado mental, contagem de polimorfonucleares acima de 250/mm³ e temperaturas acima de 37,8ºC.
  5. E) a dor abdominal relacionada à PBE costuma ser de forte intensidade, localizada em hipocôndrio direito e irradiada para o mesogástrio.

Pérola Clínica

PBE: Suspeita clínica (febre, dor abd, alt mental) + PMN > 250/mm³ no líquido ascítico → ATB empírico.

Resumo-Chave

A PBE é uma complicação grave da cirrose com ascite. A suspeita clínica é crucial, e o início da antibioticoterapia empírica não deve esperar a confirmação microbiológica se houver sinais de infecção e contagem de polimorfonucleares no líquido ascítico > 250/mm³.

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico em pacientes com cirrose hepática e ascite, sem uma fonte intra-abdominal óbvia de infecção. É uma complicação comum e potencialmente fatal, com alta taxa de recorrência e mortalidade significativa se não tratada prontamente. A fisiopatologia da PBE envolve translocação bacteriana do intestino para a circulação sistêmica e, subsequentemente, para o líquido ascítico, devido à disfunção da barreira intestinal e à imunodeficiência associada à cirrose. O diagnóstico é feito pela paracentese diagnóstica, com a contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico sendo o critério mais importante (≥ 250 células/mm³). Manifestações clínicas incluem febre, dor abdominal, alteração do estado mental e piora da função renal. O tratamento da PBE é uma emergência médica. A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente após a paracentese diagnóstica, sem aguardar os resultados da cultura, devido ao risco de rápida deterioração. Cefalosporinas de terceira geração (ex: ceftriaxona ou cefotaxima) são a escolha inicial. A profilaxia primária e secundária com antibióticos é indicada para pacientes de alto risco ou com histórico de PBE, respectivamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O diagnóstico de PBE é confirmado pela análise do líquido ascítico, que revela uma contagem de polimorfonucleares (PMN) maior ou igual a 250 células/mm³ e cultura monobacteriana positiva, ou suspeita clínica com PMN elevado.

Quando iniciar a terapia antimicrobiana empírica na PBE?

A terapia antimicrobiana empírica deve ser iniciada imediatamente em pacientes com ascite e suspeita de PBE (febre, dor abdominal, alteração do estado mental) e/ou contagem de PMN no líquido ascítico ≥ 250/mm³, sem aguardar a cultura.

Quais são as principais bactérias causadoras da PBE?

As bactérias mais frequentemente envolvidas na PBE são bacilos Gram-negativos entéricos, como Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, e, em menor grau, cocos Gram-positivos.

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