PBE e GASA: Diagnóstico Diferencial na Ascite

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente masculino, 62 anos de idade, diagnóstico de câncer colorretal com metástase hepática, evolui com ascite de instalação subaguda. Exames laboratoriais: albumina sérica 3,2 g/dl; albumina do líquido ascítico 1,8 g/dl; contagem de neutrófilos no líquido ascítico 120/mm³. Ao exame físico: hepatomegalia e circulação colateral abdominal. No que diz respeito à análise do líquido ascítico do paciente e à suspeita de infecção associada, assinale a opção que apresenta os procedimentos corretos.

Alternativas

  1. A) Iniciar antibiótico empírico imediatamente.
  2. B) Repetir paracentese em 24 horas.
  3. C) Solicitar o aguardo do resultado de cultura por agora, para se definir a existência ou não de peritonite bacteriana espontânea.
  4. D) Apontar a ausência de critérios para peritonite bacteriana espontânea no paciente.
  5. E) Descarte infecção em líquido ascítico.

Pérola Clínica

GASA ≥ 1,1 = Hipertensão Portal; Neutrófilos < 250/mm³ afasta PBE.

Resumo-Chave

O diagnóstico de PBE exige contagem de neutrófilos ≥ 250/mm³. O GASA de 1,4 (3,2 - 1,8) confirma ascite por hipertensão portal, comum em metástases hepáticas extensas.

Contexto Educacional

A análise do líquido ascítico é o passo fundamental para determinar a etiologia da ascite e excluir complicações. O GASA reflete a pressão hidrostática nos capilares sinusoidais; quando elevado, aponta para hipertensão portal. No contexto oncológico, é vital diferenciar a ascite por hipertensão portal (GASA alto) da carcinomatose peritoneal (GASA baixo). A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção do líquido ascítico sem um foco intra-abdominal evidente. Sua exclusão no caso clínico baseia-se na contagem de neutrófilos de 120/mm³, que está abaixo do ponto de corte de 250/mm³. O manejo correto envolve a vigilância clínica, sem necessidade de antibioticoterapia empírica imediata na ausência de critérios citológicos ou sinais de sepse.

Perguntas Frequentes

Como calcular e interpretar o GASA?

O GASA é calculado subtraindo a albumina do líquido ascítico da albumina sérica. Valores ≥ 1,1 g/dL indicam hipertensão portal (como cirrose, insuficiência cardíaca ou metástases hepáticas maciças), enquanto valores < 1,1 g/dL sugerem causas não relacionadas à hipertensão portal, como carcinomatose peritoneal, tuberculose ou síndrome nefrótica.

Qual o critério laboratorial definitivo para PBE?

O diagnóstico de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é confirmado quando a contagem de polimorfonucleares (neutrófilos) no líquido ascítico é igual ou superior a 250 células/mm³. O resultado da cultura é importante para o ajuste do antibiótico, mas o início do tratamento baseia-se na citometria.

Por que o paciente do caso tem GASA elevado?

O paciente apresenta um GASA de 1,4 g/dL (3,2 - 1,8). Em pacientes com câncer colorretal e metástases hepáticas extensas, a substituição do parênquima e a compressão vascular podem gerar hipertensão portal pós-sinusoidal, resultando em um transudato com gradiente elevado, similar ao padrão da cirrose.

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