Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico e Tratamento

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 48a, procura o Pronto Socorro com queixa de desconforto abdominal e diminuição do volume urinário há 10 dias, sem febre. Antecedente pessoal: cirrose hepática por hepatite C. Exame físico: abdome: ascite presente; membros inferiores: edema ++/4+. Bilirrubina total= 4,2 mg/dL; RNI= 1,55; creatinina= 0,9 mg/dL, albuminemia= 2,8 g/dL; líquido ascítico: proteína= 1,2 g/dL; albumina= 0,8 g/dL, glicose= 88 g/dL, LDH= 182UI/L, leucócitos= 480/mL (neutrófilos:68%; linfócitos: 20%; monócitos: 8%; células mesoteliais: 4%), hemácias= 570/mL, cultura em andamento. O DIAGNÓSTICO E O TRATAMENTO SÃO:

Alternativas

  1. A) Peritonite bacteriana espontânea; antibiótico de amplo espectro, sem necessidade dealbumina humana.
  2. B) Aguardar resultado da cultura para diagnóstico de peritonite bacteriana espontânea;iniciar antibiótico dirigido.
  3. C) Peritonite bacteriana espontânea; cefalosporina de terceira geração e albuminahumana.
  4. D) Hipertensão portal; diurético de alça e dieta hipossódica.

Pérola Clínica

PBE = Ascite + Neutrófilos > 250/mm³ no líquido ascítico (mesmo sem febre) → Cefalosporina 3ª geração + Albumina.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é feito pela contagem de neutrófilos no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³, independentemente da presença de febre ou outros sinais de infecção. O tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente com cefalosporina de terceira geração e albumina humana para prevenir a síndrome hepatorrenal.

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção comum e grave em pacientes com cirrose e ascite, caracterizada pela infecção do líquido ascítico sem uma fonte intra-abdominal óbvia. A mortalidade é alta se não tratada prontamente, tornando o diagnóstico e tratamento rápidos cruciais. A fisiopatologia envolve translocação bacteriana do intestino para a ascite, facilitada pela disfunção imune e aumento da permeabilidade intestinal em cirróticos. O diagnóstico de PBE é primariamente laboratorial, baseado na análise do líquido ascítico. Uma contagem de neutrófilos (polimorfonucleares) ≥ 250 células/mm³ é o critério diagnóstico mais importante, independentemente da presença de sintomas como febre ou dor abdominal. O gradiente soro-ascite de albumina (GASA) > 1,1 g/dL confirma a ascite por hipertensão portal. O resultado da cultura do líquido ascítico, embora importante para direcionar o tratamento, não deve atrasar o início da terapia empírica. O tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente com uma cefalosporina de terceira geração, como cefotaxima, que tem boa cobertura para os patógenos mais comuns (principalmente Gram-negativos entéricos). A administração de albumina humana intravenosa é fundamental para prevenir a síndrome hepatorrenal, uma complicação grave associada à PBE, e é indicada para pacientes com critérios específicos (bilirrubina > 4 mg/dL, creatinina > 1 mg/dL ou RNI > 1,5). A profilaxia secundária com norfloxacino ou ciprofloxacino é recomendada após o primeiro episódio de PBE.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O diagnóstico de PBE é estabelecido pela contagem de neutrófilos no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³, na ausência de uma fonte cirúrgica de infecção intra-abdominal, mesmo que a cultura seja negativa.

Qual o tratamento inicial recomendado para PBE e por quê?

O tratamento inicial consiste em cefalosporina de terceira geração (ex: cefotaxima) para cobrir bactérias Gram-negativas entéricas, e albumina humana intravenosa para prevenir a síndrome hepatorrenal, uma complicação grave da PBE.

Quando a albumina humana deve ser administrada em casos de PBE?

A albumina humana é recomendada para pacientes com PBE que apresentam creatinina > 1 mg/dL, bilirrubina total > 4 mg/dL ou RNI > 1,5, administrada no dia 1 e dia 3 do tratamento antibiótico.

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