HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2021
Um paciente de 60 anos de idade, hepatopata crônico secundário a etilismo, compareceu à emergência com relato de febre e de aumento do volume abdominal há dois dias. Negou episódios semelhantes anteriores. Ao exame físico, apresentava-se em regular estado geral, ictérico 1+/4, afebril, com ascite volumosa com dor difusa à palpação abdominal, PA = 100 mmHg x 70 mmHg, FC = 112 bpm, FR = 20 irpm e SatO2 = 96%.Considerando esses achados, assinale a alternativa que corresponde à conduta correta.
Hepatopata + ascite + febre/dor abdominal → PBE até prova em contrário. Diagnóstico: PMN ≥ 250/mm³ no líquido ascítico. Tratamento: Ceftriaxona IV.
A peritonite bacteriana espontânea é uma complicação grave da cirrose com ascite, caracterizada pela infecção do líquido ascítico sem foco intra-abdominal aparente. A suspeita clínica é crucial em pacientes com ascite que apresentam febre, dor abdominal, alteração do estado mental ou deterioração da função renal, exigindo paracentese diagnóstica imediata.
A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico que ocorre em pacientes com cirrose hepática, sendo uma das principais causas de descompensação e mortalidade. Sua prevalência é alta, especialmente em pacientes hospitalizados com ascite, e o reconhecimento precoce é fundamental para um desfecho favorável. A fisiopatologia envolve a translocação bacteriana do intestino para a cavidade peritoneal, facilitada pela disfunção imune e pela estase do líquido ascítico. O diagnóstico é estabelecido pela paracentese diagnóstica, com a contagem de polimorfonucleares no líquido ascítico sendo o critério mais importante (≥ 250 células/mm³). A cultura do líquido ascítico é positiva em cerca de 40% dos casos. O tratamento empírico com antibióticos de amplo espectro, como a ceftriaxona, deve ser iniciado imediatamente após a coleta do líquido ascítico, sem aguardar os resultados da cultura. A profilaxia secundária com norfloxacino ou sulfametoxazol-trimetoprim é indicada para pacientes que sobreviveram a um episódio de PBE.
O diagnóstico de PBE é confirmado pela análise do líquido ascítico, que deve apresentar contagem de polimorfonucleares (PMN) maior ou igual a 250 células/mm³. A cultura do líquido ascítico pode ser positiva, mas o critério de PMN é suficiente para iniciar o tratamento.
O tratamento de primeira linha para PBE é a antibioticoterapia intravenosa empírica, sendo a ceftriaxona a droga de escolha, geralmente administrada por 5 a 7 dias. A albumina também pode ser indicada para prevenir a síndrome hepatorrenal.
Deve-se suspeitar de PBE em qualquer paciente cirrótico com ascite que apresente febre, dor abdominal, alteração do estado mental, deterioração da função renal, leucocitose periférica ou sangramento gastrointestinal, indicando a necessidade de paracentese diagnóstica.
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