Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico e Tratamento

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Indivíduo masculino, com 55 anos, portador de cirrose hepática é internado na enfermaria de clínica médica com ascite associada a febre há 3 dias. No estudo do líquido ascítico, revelou a presença de 251 polimorfonucleares por mm³ e cultura com E. coli. Qual é a conduta mais indicada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Metronidazol para tratar peritonite bacteriana secundária.
  2. B) Repetir a paracentese em 48 horas.
  3. C) Aguardar o resultado da cultura do líquido ascítico para iniciar antibiótico, pensando em provável peritonite bacteriana espontânea (PBE).
  4. D) Iniciar uma cefalosporina de 3ª geração.
  5. E) Trata-se de PBE, e inicia-se antibioticoterapia com penicilina benzatina.

Pérola Clínica

PBE: PMN > 250/mm³ no líquido ascítico → iniciar cefalosporina de 3ª geração empírica.

Resumo-Chave

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave da cirrose com ascite. O diagnóstico é feito pela contagem de polimorfonucleares (PMN) > 250/mm³ no líquido ascítico, e o tratamento empírico com cefalosporina de 3ª geração deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar a cultura, devido ao risco de mortalidade.

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico em pacientes com cirrose hepática, sem uma fonte intra-abdominal cirúrgica. É uma complicação comum e com alta mortalidade, sendo crucial o diagnóstico e tratamento precoces. A prevalência em pacientes cirróticos com ascite é significativa, e sua ocorrência indica um estágio avançado da doença hepática. A fisiopatologia envolve a translocação bacteriana do intestino para a cavidade peritoneal, facilitada pela disfunção imune e pela ascite. O diagnóstico é feito pela paracentese diagnóstica, onde a contagem de polimorfonucleares (PMN) > 250/mm³ é o critério principal. A cultura do líquido ascítico pode ser positiva (mais comumente E. coli) ou negativa, mas o tratamento não deve ser atrasado. O tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente com uma cefalosporina de 3ª geração (como cefotaxima ou ceftriaxona), que oferece boa cobertura para os patógenos mais comuns. A profilaxia secundária com norfloxacino ou sulfametoxazol-trimetoprim é indicada após o primeiro episódio de PBE para prevenir recorrências, e a profilaxia primária pode ser considerada em pacientes de alto risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O diagnóstico de PBE é estabelecido pela presença de mais de 250 polimorfonucleares por mm³ no líquido ascítico, independentemente do resultado da cultura inicial, que pode ser positiva ou negativa.

Qual a conduta inicial na suspeita de PBE em paciente cirrótico?

A conduta inicial é iniciar antibioticoterapia empírica com uma cefalosporina de 3ª geração (ex: cefotaxima ou ceftriaxona) imediatamente após a paracentese diagnóstica, sem aguardar o resultado da cultura.

Como diferenciar PBE de peritonite bacteriana secundária?

A PBE é uma infecção monobacteriana sem foco cirúrgico. A peritonite secundária geralmente apresenta PMN muito elevados (>1000/mm³), múltiplos organismos na cultura, ou sinais de perfuração/abscesso intra-abdominal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo