Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico e Tratamento

HFCF - Hospital Federal Cardoso Fontes (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 60 anos, apresenta aumento de volume abdnominal. com 8 meses de evolução, associado a fadiga. Há 5 dias apresenta dor abdominal difusa. Ao exame físico, paciente está hipocorado +/4+, macicez de decúbito e piparote positivo. Realizou paracentese de alivio, que evidenciou líquido amarelo citrino com 600 leucócitos/ mm³ , 52% PMN, albumina de 1g/dl, LDH de 115 U/L, exames séricos evidenciaram : albumina = 2,6 g/dl, LDH=130 U/L. Assinale a alternativa que contem diagnóstico e conduta para o caso mencionado.

Alternativas

  1. A) Hipertensão portal, solicitar CEA e alfafetoproteina.
  2. B) Exudato, solicitar bacterioscopia e cultura do líquido e iniciar ceftriaxona 1g IV 12/12horas
  3. C) Hipertensão portal, iniciar furosemida 40 mg IV 1 x dia.
  4. D) Hipertensão portal, coletar líquido peritoneal para cultura e iniciar cefotaxima 2g IV 8/8horas.

Pérola Clínica

Ascite + PMN > 250/mm³ no líquido ascítico = Peritonite Bacteriana Espontânea → Cefotaxima empírica.

Resumo-Chave

O paciente apresenta ascite (macicez de decúbito, piparote positivo) e sinais de infecção (dor abdominal, leucócitos no líquido ascítico com PMN > 250/mm³), o que é altamente sugestivo de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE), uma complicação grave da hipertensão portal. A conduta imediata é coletar cultura do líquido e iniciar antibioticoterapia empírica com cefotaxima.

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico em pacientes com doença hepática crônica e hipertensão portal, principalmente cirrose. É uma complicação comum e potencialmente fatal, com alta taxa de mortalidade se não for diagnosticada e tratada precocemente. A PBE deve ser suspeitada em qualquer paciente com ascite que apresente febre, dor abdominal, alteração do estado mental ou deterioração da função renal. A fisiopatologia da PBE envolve a translocação bacteriana do intestino para a circulação sistêmica e, subsequentemente, para o líquido ascítico, que é um meio de cultura favorável devido à deficiência de fatores de defesa locais. O diagnóstico é confirmado pela paracentese diagnóstica, que revela uma contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³. A cultura do líquido ascítico é importante para identificar o patógeno e guiar a terapia, mas o tratamento não deve ser atrasado. A conduta para PBE é a antibioticoterapia empírica imediata, geralmente com cefotaxima 2g IV a cada 8 horas, ou outro cefalosporina de terceira geração. Além dos antibióticos, a albumina intravenosa é recomendada para pacientes com PBE e disfunção renal ou bilirrubina total > 4 mg/dL, pois demonstrou reduzir a mortalidade e a incidência de síndrome hepatorrenal. A profilaxia secundária com norfloxacino ou ciprofloxacino é indicada após o primeiro episódio de PBE.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O diagnóstico de PBE é estabelecido pela presença de ascite, contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³ e cultura monobacteriana positiva (embora o tratamento empírico deva ser iniciado antes do resultado da cultura).

Qual a importância da paracentese diagnóstica na suspeita de PBE?

A paracentese diagnóstica é crucial para confirmar a PBE, permitindo a análise do líquido ascítico para contagem celular (especialmente PMN), cultura e outros parâmetros que auxiliam no diagnóstico diferencial.

Por que a cefotaxima é o antibiótico de escolha para PBE?

A cefotaxima (ou outro antibiótico de amplo espectro de terceira geração) é o antibiótico de escolha para PBE devido à sua eficácia contra os patógenos mais comuns (principalmente Gram-negativos entéricos) e boa penetração no líquido ascítico.

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