PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Homem de 64 anos apresenta dor abdominal e confusão mental há um dia. É portador de doença renal crônica em tratamento com diálise peritoneal. Ao exame físico, PA 130/84mmHg, FC 76bpm, FR 16ipm, SpO2 98% (em ar ambiente), TAx 36,4°C. Apresenta dor à palpação abdominal difusa, e não há sinais de irritação peritoneal. EXAMES DE LABORATÓRIO: leucócitos 10.450/mm³; neutrófilos 7.670/mm³; proteína Creativa 15mg/L; creatinina 9,2mg/dL; ureia 76mg/dL. Exame do efluente da diálise peritoneal: aspecto turvo; 240 células nucleadas; 70% de neutrófilos; material enviado para cultura. Assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial MAIS ADEQUADA:
Efluente turvo + >100 leucócitos/mm³ (>50% PMN) em DP = Peritonite → ATB empírico imediato.
A peritonite é a complicação infecciosa mais grave da diálise peritoneal. O diagnóstico é clínico-laboratorial e o tratamento com antibióticos deve ser iniciado imediatamente após a coleta de culturas.
A peritonite em pacientes de diálise peritoneal (DP) manifesta-se tipicamente por dor abdominal e efluente turvo. A confusão mental no caso clínico sugere gravidade ou uremia associada, mas a prioridade é tratar a infecção peritoneal. A citometria do efluente com 240 células e 70% de neutrófilos confirma o diagnóstico inflamatório. A conduta imediata após a coleta de material para cultura é o início da antibioticoterapia empírica. Embora a via intraperitoneal seja a padrão, em pacientes com sinais de sepse ou instabilidade, a cobertura parenteral pode ser associada. A falha no tratamento rápido pode levar à perda da membrana peritoneal e necessidade de transferência definitiva para hemodiálise.
O diagnóstico requer pelo menos dois dos seguintes critérios: 1) Sinais clínicos de inflamação peritoneal (dor abdominal e/ou efluente turvo); 2) Contagem de células brancas no efluente > 100/mm³ com pelo menos 50% de polimorfonucleares; 3) Cultura do efluente positiva.
A via intraperitoneal (IP) é preferível à via intravenosa, pois fornece concentrações muito mais elevadas do antibiótico no local da infecção. A administração pode ser feita de forma contínua (em todas as trocas) ou intermitente (uma vez ao dia).
O esquema deve cobrir gram-positivos (ex: cefalosporina de 1ª geração ou vancomicina) e gram-negativos (ex: cefalosporina de 3ª geração ou aminoglicosídeo), sendo ajustado posteriormente conforme o resultado das culturas e do antibiograma.
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