SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 50 anos de idade, vítima de atropelamento, apresentou choque hemorrágico de foco abdominal, sendo submetido à laparotomia exploradora e cirurgia de controle de danos com empacotamento hepático e peritoneostomia com curativo por pressão negativa. O paciente foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva para estabilização hemodinâmica.\n\nÉ correto afirmar que a terapia por pressão negativa, na peritoneostomia, pode ser empregada porque:
TPN na peritoneostomia → ↑ contração das bordas + ↓ exsudato + ↑ neoangiogênese.
A terapia por pressão negativa (TPN) facilita o fechamento abdominal tardio ao promover a aproximação das bordas da fáscia e reduzir o edema tecidual.
A cirurgia de controle de danos é uma estratégia vital no trauma grave, priorizando a fisiologia sobre a anatomia. A peritoneostomia (abdome aberto) é uma consequência comum dessa abordagem, necessária para prevenir a síndrome compartimental abdominal e permitir reintervenções programadas. A TPN revolucionou esse manejo, substituindo técnicas rudimentares por um sistema que gerencia fluidos e preserva a integridade da parede abdominal.\n\nFisiopatologicamente, a TPN atua por dois mecanismos principais: a macrodeformação (contração visível da ferida) e a microdeformação (estresse mecânico em nível celular que ativa vias de sinalização para proliferação celular e angiogênese). No contexto do trauma hepático com empacotamento, a TPN ajuda a estabilizar a parede enquanto o paciente é reaquecido e sua coagulopatia é corrigida na UTI.
A terapia por pressão negativa (TPN) oferece múltiplos benefícios no manejo do abdome aberto, incluindo a remoção contínua de fluidos inflamatórios e exsudato, o que reduz o edema da parede abdominal e das alças intestinais. Além disso, a pressão negativa exerce uma força de tração medial nas bordas da aponeurose, prevenindo a retração lateral da fáscia e facilitando o fechamento primário definitivo em um segundo tempo cirúrgico. Ela também protege as vísceras contra a dessecação e contaminação externa, mantendo um ambiente úmido e controlado que favorece a neoangiogênese e a formação de tecido de granulação.
A TPN auxilia no fechamento da fáscia através da macrodeformação, que é a tração física exercida sobre as bordas da ferida. Em pacientes com abdome aberto, a tendência natural é a retração lateral dos músculos oblíquos e transverso, o que dificulta o fechamento posterior. O sistema de vácuo aplica uma tensão constante que contrabalança essa retração, mantendo a fáscia em uma posição mais medial. Isso aumenta significativamente as taxas de fechamento fascial primário em comparação com técnicas de curativo passivo, como a bolsa de Bogotá.
Embora muito eficaz, a TPN deve ser usada com cautela. As principais contraindicações ou precauções incluem a presença de fístulas entéricas não protegidas, pois o vácuo pode aumentar o débito da fístula ou dificultar sua cicatrização. Também deve-se evitar o contato direto da esponja com órgãos vitais ou vasos sanguíneos sem uma interface de proteção (como um filme não aderente), devido ao risco de erosão e hemorragia. Em casos de coagulopatia grave não controlada ou malignidade no leito da ferida, o uso também deve ser criteriosamente avaliado pela equipe cirúrgica.
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