UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020
Parturiente de risco habitual, 26 anos de idade, 38 semanas completas de gestação, em trabalho de parto espontâneo e sem bloqueio neuraxial. A frequência cardíaca fetal antes, durante e após as contrações uterinas é de 136 batimentos por minuto. Paciente encontra-se em período expulsivo há 4 (quatro) horas, a apresentação é cefálica em OP e plano +3 de DeLee. O diagnóstico mais provável e a conduta mais adequada são, respectivamente:
Período expulsivo prolongado (multípara >2h sem analgesia) + feto em OP + plano +3 → parto vaginal operatório.
O período expulsivo prolongado é definido por critérios de tempo que variam com a paridade e uso de analgesia. No caso de uma multípara sem bloqueio neuraxial em período expulsivo há 4 horas, com apresentação cefálica em OP e plano +3, a conduta mais adequada é o parto vaginal operatório, como fórceps ou vácuo extrator, para resolver a distocia.
O período expulsivo é a segunda fase do trabalho de parto, caracterizada pela dilatação cervical completa e o nascimento do feto. Sua duração é variável e influenciada por fatores como paridade, uso de analgesia neuraxial e características fetais. O diagnóstico de período expulsivo prolongado é crucial para identificar distocias e intervir adequadamente, prevenindo complicações maternas e fetais. A definição de período expulsivo prolongado é: para nulíparas, mais de 3 horas com analgesia epidural ou mais de 2 horas sem; para multíparas, mais de 2 horas com analgesia epidural ou mais de 1 hora sem. A presença de uma apresentação cefálica em occipitoposterior (OP) pode dificultar a rotação e a descida, contribuindo para o prolongamento. O plano +3 de DeLee indica que a apresentação está bem engajada na pelve, tornando o parto vaginal operatório uma opção viável. A conduta para o período expulsivo prolongado depende da avaliação da vitalidade fetal e das condições maternas. Se não houver sofrimento fetal e as condições permitirem, pode-se tentar a rotação manual ou o uso de fórceps ou vácuo extrator para auxiliar a progressão. A cesariana é reservada para casos de falha do parto vaginal operatório, sofrimento fetal grave ou quando a apresentação não permite a via vaginal. A escolha da intervenção deve ser individualizada e baseada na experiência do obstetra.
Para nulíparas, é >3 horas com analgesia epidural ou >2 horas sem. Para multíparas, é >2 horas com analgesia epidural ou >1 hora sem. No caso da questão, a multípara sem analgesia há 4 horas claramente excede o limite.
O parto vaginal operatório (fórceps ou vácuo extrator) é uma intervenção para auxiliar a extração fetal por via vaginal quando há distocia, mas o feto está em plano baixo. A cesariana é indicada quando há falha do parto vaginal operatório, sofrimento fetal grave ou contraindicações ao parto vaginal.
Apresentação cefálica em OP (occipitoposterior) significa que a parte posterior da cabeça fetal está voltada para a coluna vertebral materna, o que pode dificultar a rotação. Plano +3 de DeLee indica que a apresentação fetal está bem baixa na pelve, 3 cm abaixo das espinhas isquiáticas.
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