Período Expulsivo Prolongado e Sofrimento Fetal: Conduta

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Gestante de 39 semanas de gestação, secundigesta com 1 parto normal há 2 anos, apresenta a evolução do trabalho de parto de acordo com o partograma em anexo (Fonte: ZUGAIB, 2023). No último registro do partograma, foram registradas 4 contrações uterinas fortes a cada 10 minutos, bolsa rota com líquido claro com grumos, com batimento cardíaco fetal em 100bpm, com quedas recorrentes de até 30bpm durante as contrações. Diante do exposto, o diagnóstico do partograma e a conduta mais adequada para o caso são:

Alternativas

  1. A) parada secundária da dilatação, está indicada a aplicação de vácuo extrator.
  2. B) parto taquitócito, portanto deve-se aguardar a evolução do parto corrigindo as contrações com ocitocina .
  3. C) parada secundária da descida, logo está indicada cesariana por parto obstruído .
  4. D) parada secundária da dilatação, realizar amniotomia para aumentar as contrações.
  5. E) período expulsivo prolongado, indicar fórceps de Simpson.

Pérola Clínica

BCF 100bpm com quedas recorrentes no período expulsivo → sofrimento fetal, indicar parto operatório (fórceps/vácuo).

Resumo-Chave

A bradicardia fetal persistente (BCF 100bpm) com quedas recorrentes, especialmente no período expulsivo, é um sinal de sofrimento fetal agudo. Nesses casos, a resolução rápida do parto por via operatória (fórceps ou vácuo) é a conduta mais adequada para evitar danos ao feto.

Contexto Educacional

O trabalho de parto é um processo dinâmico que exige monitoramento contínuo, especialmente em relação à progressão e ao bem-estar fetal. O partograma é uma ferramenta essencial para registrar a evolução do parto e identificar distocias, permitindo intervenções oportunas. A presença de bradicardia fetal persistente (BCF < 110 bpm) ou desacelerações recorrentes e profundas, especialmente no período expulsivo, é um sinal de alerta para sofrimento fetal agudo. Nesses cenários, a prioridade é a resolução rápida do parto para minimizar riscos de hipóxia e acidose fetal. Diante de um período expulsivo prolongado associado a sinais de sofrimento fetal, a conduta mais adequada é a abreviação do parto por via operatória, seja por fórceps ou vácuo extrator, dependendo da experiência do obstetra e das condições clínicas. A cesariana é reservada para falha dessas tentativas ou contraindicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar um período expulsivo prolongado em uma secundigesta?

Em secundigestas, o período expulsivo é considerado prolongado se exceder 2 horas sem analgesia ou 3 horas com analgesia, sem progressão adequada.

Qual a importância da avaliação do batimento cardíaco fetal (BCF) durante o trabalho de parto?

A avaliação contínua do BCF é crucial para identificar sinais de sofrimento fetal, como bradicardia persistente ou desacelerações tardias/variáveis graves, que indicam hipóxia e demandam intervenção imediata.

Quando o fórceps obstétrico é indicado no período expulsivo?

O fórceps é indicado em casos de período expulsivo prolongado com falha na progressão, exaustão materna, ou, como no caso, sinais de sofrimento fetal agudo que exigem a abreviação do parto.

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