CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014
Em relação ao exame de campo visual, pacientes com glaucoma tendem a apresentar:
Glaucoma → ↑ Flutuação do limiar (instabilidade) antes da perda definitiva de sensibilidade.
A flutuação de curto prazo é uma característica precoce do dano glaucomatoso, refletindo a instabilidade funcional das células ganglionares antes da morte celular.
O exame de campo visual (perimetria computadorizada) é essencial para o diagnóstico e acompanhamento do glaucoma. A doença caracteriza-se por uma perda progressiva de células ganglionares, que se traduz em áreas de sensibilidade reduzida. Antes que um escotoma absoluto apareça, o paciente frequentemente apresenta um aumento na flutuação das respostas, o que torna o exame mais 'ruidoso' e difícil de interpretar. Diferente de doenças neurológicas que respeitam o meridiano vertical (como hemianopsias), o glaucoma tipicamente respeita o meridiano horizontal. A perda difusa da sensibilidade pode ocorrer, mas os escotomas localizados arqueados são muito mais patognomônicos. A detecção precoce dessas alterações, aliada à análise da camada de fibras nervosas (OCT), é o padrão-ouro para evitar a cegueira irreversível.
A flutuação de curto prazo refere-se à variação da sensibilidade em um mesmo ponto testado várias vezes durante o mesmo exame. Em pacientes com glaucoma, essa variabilidade é significativamente maior do que em indivíduos normais, indicando uma instabilidade funcional das células ganglionares da retina que precede a perda permanente de visão.
Os defeitos típicos são localizados e seguem o padrão da camada de fibras nervosas da retina. Incluem o degrau nasal de Roenne (defeito que respeita a rafe horizontal no lado nasal), escotomas arqueados (escotoma de Bjerrum) que se estendem da mancha cega e o escotoma paracentral. O degrau nasal é muito mais comum que o degrau vertical.
Isso ocorre devido à anatomia das fibras nervosas da retina. As fibras da retina temporal se organizam em arcos que convergem para o disco óptico, mas não cruzam a linha horizontal (rafe horizontal). Como o glaucoma danifica esses feixes de fibras, o defeito visual resultante termina abruptamente na linha horizontal, criando o degrau nasal.
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