UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2021
Paciente de 32 anos, sexo masculino, dá entrada no pronto atendimento com quadro de confusão mental e tremor de extremidades. Familiar refere que paciente apresenta quadro de náuseas e vômitos há três dias. Ao abordar o paciente você percebe que o mesmo está corado, anictérico, acianótico e afebril. Na ausculta, o que chama atenção é um atrito pericárdico e níveis tensionais elevados. Considerando o provável diagnóstico sindrômico do caso, a principal conduta terapêutica imediata seria:
Atrito pericárdico + Encefalopatia na uremia = Indicação absoluta de Hemodiálise de emergência.
A pericardite urêmica é uma complicação grave da uremia que não responde a anti-inflamatórios comuns e apresenta alto risco de tamponamento cardíaco, exigindo diálise imediata como tratamento definitivo.
A síndrome urêmica é o estágio final da disfunção renal aguda ou crônica, caracterizada pelo acúmulo de toxinas que afetam múltiplos sistemas. A encefalopatia urêmica manifesta-se com confusão mental, tremores (asterixis) e pode evoluir para convulsões e coma. A presença de atrito pericárdico indica uma inflamação pericárdica grave, que é uma das indicações mais urgentes para o início da terapia renal substitutiva. No pronto atendimento, a identificação desses sinais deve levar à estabilização imediata e à obtenção de um acesso venoso central para hemodiálise (cateter de duplo lúmen). O atraso na diálise em pacientes com pericardite urêmica está associado a uma alta mortalidade por tamponamento cardíaco ou arritmias. O tratamento de suporte, como hidratação ou correção de eletrólitos, é secundário à necessidade de depuração extracorpórea das escórias nitrogenadas.
As indicações clássicas (mnemônico AEIOU) incluem: Acidose metabólica refratária, Eletrólitos (hipercalemia grave refratária), Intoxicações por substâncias dialisáveis (lítio, metanol, etilenoglicol), Overload (hipervolemia/edema agudo de pulmão refratário) e Uremia grave com complicações (pericardite, encefalopatia ou sangramento urêmico).
Clinicamente, manifesta-se por dor torácica pleurítica que melhora ao inclinar o tronco para frente e, patognomonicamente, pela presença do atrito pericárdico à ausculta cardíaca (som rude, superficial, em três componentes). Diferente da pericardite viral, o ECG na pericardite urêmica frequentemente não apresenta o supradesnivelamento difuso do segmento ST, devido à natureza fibrinosa e menos inflamatória do exsudato.
A pericardite urêmica resulta do acúmulo de metabólitos nitrogenados e toxinas urêmicas que irritam o pericárdio. A hemodiálise remove essas toxinas eficientemente, permitindo a resolução da inflamação. O uso de anticoagulantes (como heparina) durante a sessão deve ser minimizado ou evitado (diálise 'sem heparina') para prevenir a conversão de uma pericardite serofibrinosa em hemorrágica com tamponamento.
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