Pericardite Urêmica: Diagnóstico e Indicação de Hemodiálise

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 57 anos, portadora de insuficiência renal crônica pré-dialítica, procura a emergência de um hospital apresentando queixa de mal-estar, desconforto torácico inespecífico, náuseas e vômitos há 2 dias. O exame físico evidencia hálito urêmico, atrito pericárdico e presença de pulso paradoxal. Foi realizado eletrocardiograma de repouso que não evidenciou alterações do segmento ST.Com base no caso clínico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A causa mais provável é pericardite tuberculosa.
  2. B) O achado de pulso paradoxal não sinaliza gravidade no caso em questão.
  3. C) O quadro sugere síndrome coronariana aguda, e a paciente deve ser encaminhada ao cateterismo cardíaco.
  4. D) Há indicação absoluta de hemodiálise.
  5. E) A ausência de alterações no segmento ST afasta a possibilidade de pericardite.

Pérola Clínica

IRC + atrito pericárdico + pulso paradoxal = Pericardite Urêmica → Indicação absoluta de hemodiálise.

Resumo-Chave

A pericardite urêmica é uma complicação grave da insuficiência renal crônica, caracterizada por inflamação do pericárdio devido à uremia. A presença de atrito pericárdico e pulso paradoxal, mesmo sem alterações de ST no ECG, indica a necessidade urgente de hemodiálise para remover as toxinas urêmicas e resolver o quadro.

Contexto Educacional

A pericardite urêmica é uma complicação grave e potencialmente fatal da insuficiência renal crônica (IRC), especialmente em pacientes pré-dialíticos ou com diálise inadequada. É causada pelo acúmulo de toxinas urêmicas que levam à inflamação do pericárdio. Os sintomas podem ser inespecíficos, como mal-estar, náuseas e desconforto torácico, mas o exame físico é crucial, revelando hálito urêmico, atrito pericárdico e, em casos de derrame pericárdico significativo ou tamponamento, pulso paradoxal. O diagnóstico da pericardite urêmica é essencialmente clínico. Embora o eletrocardiograma possa mostrar alterações inespecíficas ou mesmo ser normal, a presença de atrito pericárdico é um achado patognomônico. O pulso paradoxal indica um derrame pericárdico com comprometimento hemodinâmico, sugerindo tamponamento cardíaco iminente ou estabelecido, uma emergência médica. A conduta terapêutica para a pericardite urêmica é a intensificação ou início da hemodiálise. A diálise é eficaz na remoção das toxinas urêmicas, resolvendo a inflamação. Em casos de tamponamento cardíaco, a pericardiocentese pode ser necessária para aliviar a pressão, mas a hemodiálise permanece como o tratamento definitivo da causa subjacente. A compreensão desses pontos é vital para o manejo de pacientes com IRC em emergências.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da pericardite urêmica?

Os sinais clínicos incluem dor torácica (que pode ser atípica), atrito pericárdico ao exame físico, febre, mal-estar, náuseas e vômitos. Em casos graves, pode haver sinais de tamponamento cardíaco, como pulso paradoxal e hipotensão.

Por que a hemodiálise é a conduta principal na pericardite urêmica?

A hemodiálise é o tratamento de escolha porque a pericardite urêmica é causada pelo acúmulo de toxinas urêmicas. A diálise remove essas toxinas, aliviando a inflamação pericárdica e prevenindo complicações como o tamponamento cardíaco.

A ausência de alterações no ECG afasta o diagnóstico de pericardite urêmica?

Não, a ausência de alterações no segmento ST no eletrocardiograma não afasta o diagnóstico de pericardite urêmica. As alterações eletrocardiográficas clássicas de pericardite (supradesnivelamento difuso do ST) são menos frequentes nesta etiologia, sendo o diagnóstico predominantemente clínico.

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