Pericardite Constritiva: Diagnóstico e Sinais Clínicos

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 25 anos, sem comorbidades, relata dispneia progressiva, atualmente classe funcional III da NYHA, associada a palpitações taquicárdicas aos esforços. Exame físico: FC = 85 bpm, PA = 112 x 70 mmHg, FR = 18 irpm, elevação do pulso venoso jugular na inspiração, hepatomegalia com ascite moderada e edema 1+/4+ de membros inferiores. Radiografia de tórax (PA) e eletrocardiograma abaixo.Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Endomiocardiofibrose.
  2. B) Pericardite constritiva.
  3. C) Tamponamento cardíaco.
  4. D) Amiloidose cardíaca.

Pérola Clínica

Pericardite constritiva → IC direita, sinal de Kussmaul (PVJ↑ na inspiração), ascite, edema.

Resumo-Chave

A pericardite constritiva é uma condição em que o pericárdio se torna espessado e fibrótico, restringindo o enchimento diastólico do coração. Isso leva a sintomas de insuficiência cardíaca direita, como ascite, hepatomegalia e edema, e o clássico sinal de Kussmaul (aumento paradoxal do pulso venoso jugular na inspiração).

Contexto Educacional

A pericardite constritiva é uma doença rara, mas importante, caracterizada pelo espessamento, fibrose e, por vezes, calcificação do pericárdio, que impede o enchimento diastólico adequado dos ventrículos. É uma causa tratável de insuficiência cardíaca, sendo crucial o diagnóstico diferencial com outras cardiomiopatias restritivas. A fisiopatologia envolve a restrição ao enchimento diastólico, levando a pressões de enchimento elevadas e equalizadas em todas as câmaras cardíacas. Isso resulta em sintomas de insuficiência cardíaca direita, como dispneia, fadiga, hepatomegalia, ascite e edema periférico. O sinal de Kussmaul e o pulso paradoxal podem estar presentes. O diagnóstico é baseado na clínica, exames de imagem como ecocardiograma, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) cardíaca, que podem mostrar o espessamento pericárdico e as alterações hemodinâmicas. O tratamento definitivo é a pericardiectomia, que consiste na remoção cirúrgica do pericárdio constritivo, proporcionando alívio significativo dos sintomas em pacientes selecionados.

Perguntas Frequentes

O que é o sinal de Kussmaul na pericardite constritiva?

O sinal de Kussmaul é o aumento paradoxal da pressão venosa jugular durante a inspiração, em vez da diminuição esperada, devido à restrição do enchimento ventricular direito pelo pericárdio fibrótico.

Quais são as causas mais comuns de pericardite constritiva?

As causas incluem cirurgia cardíaca prévia, radioterapia torácica, tuberculose, doenças autoimunes e pericardite viral, embora em muitos casos a causa seja idiopática.

Como diferenciar pericardite constritiva de cardiomiopatia restritiva?

Ambas causam disfunção diastólica e sintomas de IC direita. A pericardite constritiva envolve o pericárdio e pode ser curável cirurgicamente, enquanto a cardiomiopatia restritiva afeta o miocárdio e tem pior prognóstico. Exames de imagem (TC/RM cardíaca) são cruciais para diferenciar.

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