UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2021
Mulher de 41 anos de idade internou no HUJM por dor precordial e dispneia aos moderados esforços. História prévia de hipertensão arterial, dislipidemia mista, tabagismo e lúpus eritematoso sistêmico, desde os 21 anos. Nos últimos meses, queixou-se de quadro de dor precordial do tipo pleurítica, que piorava no decúbito e melhorava com posição sentada. Antecedente de anemia e convulsões, atribuídas ao lúpus há 2 anos. Ao exame físico, paciente em razoável estado geral, hidratada, eupneica, FC 115 bpm, PA 110 × 70 mmHg. Ausculta pulmonar normal e ausculta cardíaca revelou bulhas rítmicas, hipofonese do componente aórtico da segunda bulha e sopro sistólico ++++/6+. O exame do abdome foi normal, não havendo edema e os pulsos, simétricos. O ECG revelou ritmo sinusal, frequência cardíaca de 109 bpm, com ondas T apiculadas e elevação do segmento ST. Assinale a alternativa que apresenta os dados semiológicos identificados compatíveis com a fisiopatologia/histologia.
Dor precordial pleurítica + elevação ST + hipofonese S2 + sopro grave em paciente com LES → suspeitar de pericardite constritiva.
A dor precordial pleurítica que piora no decúbito e melhora sentado, associada a alterações eletrocardiográficas como elevação do segmento ST e ondas T apiculadas, é clássica de pericardite. Em pacientes com LES, a pericardite é uma manifestação comum. A presença de hipofonese de S2 e sopro sistólico grave, junto com a história crônica, sugere uma evolução para pericardite constritiva, caracterizada por espessamento e calcificação pericárdica.
A pericardite é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. Em pacientes com doenças autoimunes como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), a pericardite é uma manifestação comum e pode ser a primeira evidência da doença. A dor precordial pleurítica, que piora com a inspiração profunda e o decúbito e melhora com a inclinação para frente, é um sintoma característico. No eletrocardiograma, a pericardite aguda tipicamente apresenta elevação difusa do segmento ST com concavidade para cima e ondas T apiculadas, que podem evoluir para inversão. A hipofonese do componente aórtico da segunda bulha e um sopro sistólico grave, em um contexto de doença crônica como o LES, sugerem uma evolução para pericardite constritiva. Esta condição é caracterizada por um pericárdio espessado, fibrótico e, muitas vezes, calcificado, que restringe o enchimento diastólico do coração. A pericardite constritiva é uma complicação grave que pode levar à insuficiência cardíaca. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais. A alternativa D descreve corretamente a fisiopatologia da pericardite constritiva (espessamento fibroso, aderências e calcificação) e correlaciona-a com achados eletrocardiográficos compatíveis com pericardite (ondas T apiculadas e elevação do segmento ST), tornando-a a melhor opção.
Os sinais clássicos de pericardite incluem dor precordial pleurítica que piora no decúbito e melhora sentado, atrito pericárdico (nem sempre presente), e no ECG, elevação difusa do segmento ST com concavidade para cima e ondas T apiculadas, que podem evoluir para inversão.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma das causas mais comuns de pericardite, que pode ser aguda, recorrente ou evoluir para constrição. A inflamação autoimune crônica no LES pode levar ao espessamento e fibrose do pericárdio.
A pericardite constritiva é caracterizada pelo espessamento fibroso acentuado e aderências dos folhetos visceral e parietal do pericárdio, frequentemente com calcificação extensa. Isso impede o enchimento diastólico ventricular adequado, levando a sinais de insuficiência cardíaca direita.
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