USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Paciente, sexo masculino, 62 anos de idade, com antecedente de hipertensão arterial sistêmica e doença renal crônica estágio IIIb. Procura o pronto-socorro com queixa de dor torácica aguda retroesternal há 3 horas. O paciente nega dispneia, tosse ou febre. Refere que apresenta melhora discreta da dor quando se senta inclinado para frente. Ao exame físico, apresentou sinais vitais normais, bom estado geral, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Radiografia de tórax normal. O eletrocardiograma é apresentado a seguir:Com base nessas informações, assinale a alternativa que apresenta a conduta farmacológica adequada.
Dor torácica pleurítica, melhora sentado/inclinado + supra ST difuso = Pericardite aguda. Tratamento: AINEs + Colchicina (ou corticoide se contraindicação/refratariedade).
A descrição da dor torácica (retroesternal, melhora ao sentar inclinado para frente) e o achado de supradesnivelamento difuso do segmento ST no ECG são altamente sugestivos de pericardite aguda. O tratamento inicial para pericardite aguda é com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e colchicina. Em casos de contraindicação aos AINEs ou refratariedade, corticosteroides podem ser usados. A prednisona é um corticoide.
A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. É uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens e adultos, e seu reconhecimento é crucial para evitar diagnósticos errados e tratamentos inadequados. A etiologia é frequentemente viral ou idiopática, mas outras causas como doenças autoimunes, uremia e pós-infarto devem ser consideradas. O diagnóstico da pericardite aguda baseia-se na presença de pelo menos dois dos quatro critérios: dor torácica típica (pleurítica, melhora ao sentar inclinado para frente), atrito pericárdico, alterações eletrocardiográficas (supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade para cima e/ou infra-desnivelamento do PR) e derrame pericárdico (detectado por ecocardiograma). Exames laboratoriais podem mostrar marcadores inflamatórios elevados. O tratamento da pericardite aguda geralmente envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) em altas doses, combinados com colchicina para reduzir o risco de recorrência. Em pacientes com contraindicações aos AINEs, intolerância ou refratariedade, corticosteroides como a prednisona podem ser utilizados, embora seu uso deva ser cauteloso devido ao risco de recorrência.
O ECG na pericardite aguda tipicamente mostra supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade para cima, infra-desnivelamento do segmento PR e, em fases mais tardias, inversão da onda T.
A dor da pericardite é geralmente pleurítica, piora com a inspiração e melhora ao sentar inclinado para frente, enquanto a dor do IAM é tipicamente opressiva, retroesternal, irradiando para membros e não alivia com a posição.
A colchicina é recomendada em combinação com AINEs para reduzir a taxa de recorrência da pericardite, devido às suas propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras.
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