HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Paciente feminina, 14 anos, sem antecedentes conhecidos nem histórico de uso de medicação, procurou Pronto-Atendimento relatando dor torácica há duas horas. A dor piora à inspiração profunda, é contínua, e diminui de intensidade ao inclinar o tronco para a frente. Nega febre ou dispneia e conta que há quatro dias teve dor de garganta e coriza, mas não procurou atendimento e já teve resolução do quadro, sem uso de medicação. Ao exame físico, encontra-se ansiosa, normotensa e normocárdica, afebril, com pulsos cheios e simétricos. Ausculta pulmonar sem alterações, com achado de atrito pericárdico sistólico e diastólico. Não há lesões cutâneas, o exame abdominal e a oroscopia não mostram alterações. Realizou ECG (abaixo) e ecocardiograma, que mostrou derrame pericárdico discreto, sem sinais de tamponamento. A dosagem de troponina resultou em 0,4ng/mL (ref:,1,0ng/mL). A conduta adequada neste momento é:
Pericardite aguda: dor torácica pleurítica que melhora ao inclinar-se para frente + atrito pericárdico + ECG típico → AINEs + Colchicina.
O tratamento da pericardite aguda idiopática ou viral, sem sinais de gravidade, consiste na combinação de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) em doses elevadas e colchicina. A colchicina reduz a taxa de recorrência e acelera a resolução dos sintomas.
A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração, e é uma causa comum de dor torácica na emergência. É crucial para residentes reconhecer seus sinais e sintomas característicos, como a dor pleurítica que melhora ao inclinar-se para frente, o atrito pericárdico e as alterações típicas no ECG, para um diagnóstico rápido e manejo adequado. A etiologia mais comum é viral ou idiopática. O diagnóstico é clínico, apoiado por ECG (supradesnivelamento difuso do ST, infradesnivelamento do PR), marcadores inflamatórios (PCR, VHS) e ecocardiograma para avaliar derrame pericárdico e função cardíaca. A dosagem de troponina pode estar levemente elevada em casos de miopericardite, mas valores muito altos sugerem miocardite primária. O tratamento padrão para pericardite aguda sem sinais de mau prognóstico é a combinação de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) em doses elevadas e colchicina. A colchicina é essencial para reduzir a inflamação e prevenir recorrências. Corticoides são reservados para casos refratários ou com contraindicações aos AINEs, devido ao maior risco de recorrência. A pericardiocentese é indicada apenas em casos de tamponamento cardíaco ou para diagnóstico etiológico específico.
O diagnóstico de pericardite aguda requer a presença de pelo menos dois dos quatro critérios: dor torácica pericárdica (pleurítica, melhora ao inclinar-se para frente), atrito pericárdico, alterações eletrocardiográficas típicas (supradesnivelamento difuso do segmento ST e/ou infradesnivelamento do PR), e derrame pericárdico (novo ou piorado).
A conduta inicial para pericardite aguda idiopática ou viral, sem fatores de mau prognóstico, é a combinação de um anti-inflamatório não esteroide (AINE) em dose alta (como ibuprofeno ou aspirina) e colchicina. A colchicina é fundamental para reduzir a inflamação e prevenir recorrências.
A pericardiocentese é indicada em casos de tamponamento cardíaco, derrame pericárdico grande e sintomático que não responde ao tratamento clínico, ou para fins diagnósticos em derrames com suspeita de etiologia bacteriana, neoplásica ou tuberculosa.
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