Pericardite Aguda: Diagnóstico e Tratamento Essencial

CHN - Complexo Hospitalar de Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente masculino, 32 anos, foi atendido no Serviço de Emergência do CHN com dor torácica iniciada há 3 horas, sem melhora, febre baixa e sopro cardíaco. Eletrocardiograma evidenciou supradesnivelamento do segmento ST em todas as derivações, exceto em aVR e V1. Também demonstrou infradesnivelamento do segmento PR. A hipótese diagnóstica de Pericardite aguda foi confirmada à ecocardiografia. A CONDUTA ADEQUADA para o caso é prescrever:

Alternativas

  1. A) repouso, aspirina ou outro anti-inflamatório não hormonal e colchicina para reduzir recorrência
  2. B) corticoterapia venosa devido à gravidade do caso
  3. C) nitratos, betabloqueadores, aspirina e estatinas
  4. D) heparina de baixo peso molecular em doses plenas
  5. E) terapia trombolítica venosa

Pérola Clínica

Pericardite aguda: ST difuso + PR ↓ + dor torácica pleurítica → AINE + colchicina.

Resumo-Chave

A pericardite aguda é caracterizada por dor torácica pleurítica, atrito pericárdico e alterações eletrocardiográficas típicas (supradesnivelamento difuso do ST e infradesnivelamento do PR). O tratamento padrão inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e colchicina, que reduz a taxa de recorrência.

Contexto Educacional

A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração, sendo uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens. Sua etiologia é frequentemente viral ou idiopática, e o reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações e recorrências. A apresentação clínica clássica envolve dor torácica pleurítica, que piora com a tosse e inspiração profunda, e pode ser acompanhada de febre baixa e atrito pericárdico. O diagnóstico é primariamente clínico e eletrocardiográfico. O ECG típico revela supradesnivelamento difuso do segmento ST em múltiplas derivações (exceto aVR e V1) e, um achado distintivo, infradesnivelamento do segmento PR. A ecocardiografia pode mostrar derrame pericárdico, mas não é essencial para o diagnóstico em todos os casos. Marcadores inflamatórios como PCR e VHS podem estar elevados. O tratamento da pericardite aguda baseia-se em repouso e terapia anti-inflamatória. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como aspirina ou ibuprofeno, são a base do tratamento, e a colchicina é um componente essencial para reduzir a inflamação e, principalmente, prevenir recorrências. Corticosteroides são reservados para casos refratários ou com contraindicações aos AINEs, devido ao risco aumentado de recorrência.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos no ECG de um paciente com pericardite aguda?

O ECG na pericardite aguda tipicamente mostra supradesnivelamento difuso do segmento ST em quase todas as derivações, exceto aVR e V1, e infradesnivelamento do segmento PR, que é patognomônico.

Qual a importância da colchicina no tratamento da pericardite aguda?

A colchicina é fundamental no tratamento da pericardite aguda, pois, além de ter efeito anti-inflamatório, demonstrou reduzir significativamente a taxa de recorrência da doença.

Como diferenciar a dor torácica da pericardite aguda da dor do infarto agudo do miocárdio?

A dor da pericardite é tipicamente pleurítica, piora com a inspiração e melhora ao inclinar-se para frente, enquanto a dor do IAM é geralmente opressiva, retroesternal e pode irradiar para braço esquerdo ou mandíbula.

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