SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021
Um paciente de 40 anos procurou a emergência com queixas de dor precordial há 12 horas que piorava com a inspiração profunda. À admissão, realizou ECG que mostrou supradesnivelamento do segmento ST com concavidade para cima em quase todas as derivações, exceto V1 e aVR, onde estava infradesnivelado. As ondas T tinham aspecto normal, mas foi identificado infradesnivelamento do segmento PR em V5, V6 e periféricas.Que exame teria maior acurácia para o diagnóstico diferencial nesse caso?
Dor precordial pleurítica, ECG com supra ST difuso e infra PR → Pericardite. Ecocardiograma para derrame/tamponamento.
O quadro clínico de dor precordial pleurítica, associado a um ECG com supradesnivelamento do segmento ST difuso e concavidade para cima, e infradesnivelamento do segmento PR, é altamente sugestivo de pericardite aguda. Embora o ECG seja diagnóstico, o ecocardiograma transtorácico é crucial para avaliar a presença e o volume de derrame pericárdico e a função cardíaca, auxiliando no diagnóstico diferencial e na estratificação de risco.
A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração, e é uma causa comum de dor torácica na emergência. Sua etiologia é frequentemente viral ou idiopática, mas pode ser secundária a doenças autoimunes, infarto do miocárdio, uremia ou trauma. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações como derrame pericárdico, tamponamento cardíaco e pericardite constritiva. O diagnóstico da pericardite aguda baseia-se na tríade de dor torácica pleurítica, atrito pericárdico e alterações eletrocardiográficas características. A dor é tipicamente aguda, precordial, piora com a inspiração profunda e melhora ao sentar e inclinar-se para frente. No eletrocardiograma (ECG), o achado clássico é o supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade para cima, presente em múltiplas derivações, e o infradesnivelamento do segmento PR, que é um sinal altamente específico de inflamação atrial. Marcadores inflamatórios como PCR e VHS podem estar elevados, e a troponina pode estar discretamente aumentada se houver miopericardite concomitante. O ecocardiograma transtorácico é o exame de maior acurácia e é indispensável para o diagnóstico diferencial e a avaliação de complicações. Ele permite identificar a presença de derrame pericárdico, estimar seu volume, avaliar a função ventricular e detectar sinais de tamponamento cardíaco, que é uma emergência médica. Embora o ECG seja sugestivo, o ecocardiograma oferece informações anatômicas e funcionais cruciais para a conduta. O tratamento envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e colchicina, com acompanhamento cuidadoso para monitorar a resolução da inflamação e a ausência de recorrências.
Os achados clássicos incluem supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade para cima em várias derivações (exceto aVR e V1), e infradesnivelamento do segmento PR, que é patognomônico da pericardite, refletindo a inflamação atrial.
O ecocardiograma é o exame de maior acurácia porque permite visualizar diretamente o pericárdio, identificar a presença e o volume de derrame pericárdico, avaliar a função ventricular e descartar outras causas de dor torácica, como dissecção aórtica ou alterações isquêmicas, além de identificar sinais de tamponamento cardíaco.
A dor da pericardite é tipicamente pleurítica (piora com a inspiração e tosse), melhora ao sentar e inclinar-se para frente, e pode ser irradiada para o trapézio. A dor do infarto é geralmente opressiva, não pleurítica, e pode irradiar para o braço esquerdo ou mandíbula, sem alívio com a posição.
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