USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Homem, 40 anos, sem comorbidades, é admitido na unidade de emergência com dor precordial há 2 dias de moderada intensidade, que piora com a inspiração e melhora com inclinação do tronco para frente, sem irradiação. Relata episódio de dengue sem complicações há 2 semanas. Ao exame físico: BEG FC:75 bm; PA:130 x 85 mmHg; FR:22 ipm, exame respiratório e abdominal normais, ictus cordis no 5° espaço intercostal esquerdo com 1 polpa digital de extensão, ritmo cardíaco regular em 2 tempos, sem sopros, extremidades quentes pulsos presentes e simétricos, sem edemas. Radiografia de tórax é normal. Eletrocardiograma abaixo. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é o próximo passo na investigação?
Dor precordial pleurítica que melhora ao inclinar-se para frente + história recente de infecção viral → suspeitar de pericardite aguda. Ecocardiograma é o próximo passo.
A dor precordial pleurítica que piora com a inspiração e melhora com a inclinação do tronco para frente, associada a uma história recente de infecção viral (dengue), são achados altamente sugestivos de pericardite aguda. O ecocardiograma transtorácico é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar a presença e o volume de derrame pericárdico e descartar tamponamento cardíaco.
A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, o saco que envolve o coração. É uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens e, frequentemente, tem etiologia viral ou idiopática. A história de infecção viral recente, como a dengue, é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento de pericardite ou miocardite. O reconhecimento precoce é vital para evitar complicações como o tamponamento cardíaco ou a pericardite constritiva. O quadro clínico típico, como o descrito na questão, inclui dor precordial de caráter pleurítico (piora com a inspiração), que melhora com a inclinação do tronco para frente e piora em decúbito dorsal. Ao exame físico, pode-se auscultar um atrito pericárdico, embora este seja transitório e nem sempre presente. O eletrocardiograma (ECG) é um exame inicial importante, que geralmente revela supradesnivelamento difuso do segmento ST e infradesnivelamento do segmento PR, achados característicos que a diferenciam de um infarto agudo do miocárdio. Considerando a principal hipótese diagnóstica de pericardite aguda, o próximo passo na investigação é o ecocardiograma transtorácico. Este exame é essencial para confirmar a presença de inflamação pericárdica, detectar e quantificar qualquer derrame pericárdico associado, e avaliar a função ventricular. Ele também ajuda a identificar sinais de tamponamento cardíaco, uma complicação grave que requer intervenção imediata. Outros exames como marcadores inflamatórios (PCR, VHS) e cardíacos (troponinas, se houver suspeita de miocardite concomitante) também podem ser úteis, mas o ecocardiograma é o exame de imagem de escolha para a avaliação inicial da estrutura e função pericárdica.
Os sintomas clássicos incluem dor precordial aguda, geralmente pleurítica (piora com a inspiração profunda e tosse), que pode irradiar para o trapézio. É comum que a dor melhore ao sentar-se e inclinar o tronco para frente e piore ao deitar-se. Febre e atrito pericárdico à ausculta também podem estar presentes.
O ECG na pericardite aguda tipicamente mostra supradesnivelamento do segmento ST difuso (em múltiplas derivações, exceto aVR e V1), sem padrão de artéria coronária específica, e infradesnivelamento do segmento PR. Essas alterações evoluem em estágios, podendo haver normalização e, posteriormente, inversão da onda T.
O ecocardiograma transtorácico é fundamental para confirmar o diagnóstico de pericardite, avaliar a presença e o volume de derrame pericárdico, identificar sinais de tamponamento cardíaco e descartar outras causas de dor torácica. Ele permite visualizar o pericárdio e a função ventricular, sendo crucial para o manejo e prognóstico.
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