COC - Centro Oncológico de Cuiabá (MT) — Prova 2020
Uma mulher jovem apresenta quadro de febre recorrente por acometimento das vias aéreas superiores, acompanhada de dor torácica, que varia com a respiração e a posição do tórax, variando, também, de intensidade e duração. Seu exame físico revela a presença de um atrito pericárdico. Das situações a seguir, qual não indica a necessidade de internação hospitalar?
Pericardite: Elevação de enzimas, febre >38°C, leucocitose, derrame volumoso, imunocomprometimento → internação. Bloqueio de ramo esquerdo isolado NÃO.
A pericardite aguda pode ter um curso benigno, mas a identificação de fatores de risco para mau prognóstico é crucial para decidir a internação. Complicações como miocardite associada (elevação de enzimas), tamponamento cardíaco ou etiologias específicas (imunocomprometidos) exigem monitorização hospitalar. Um bloqueio de ramo esquerdo novo pode indicar miocardite, mas isoladamente não é um critério de internação primário como os outros listados.
A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, frequentemente de etiologia viral, que se manifesta com dor torácica pleurítica e atrito pericárdico. Embora a maioria dos casos seja benigna e autolimitada, é crucial identificar pacientes com fatores de risco para mau prognóstico que necessitam de internação hospitalar. Esses fatores incluem febre alta, leucocitose, elevação de marcadores de necrose miocárdica, derrames pericárdicos volumosos, tamponamento cardíaco, falha à terapia ambulatorial, e acometimento em pacientes imunocomprometidos ou com trauma. O diagnóstico da pericardite é clínico, baseado na dor torácica típica, atrito pericárdico e alterações eletrocardiográficas (elevação difusa do ST e depressão do PR). Exames laboratoriais e de imagem, como ecocardiograma, são essenciais para avaliar a extensão do derrame e a presença de complicações. A diferenciação entre pericardite benigna e formas mais graves ou com miocardite associada é fundamental para a conduta. O tratamento inicial geralmente envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e colchicina. O prognóstico é geralmente bom, mas a recorrência é comum. A identificação precoce de sinais de alerta e a internação hospitalar quando indicada são vitais para prevenir complicações graves como o tamponamento cardíaco ou a pericardite constritiva.
Os principais sinais de alerta incluem febre acima de 38°C, leucocitose, elevação de enzimas de necrose miocárdica (sugerindo miopericardite), derrames pericárdicos volumosos ou tamponamento cardíaco, e acometimento em pacientes imunocomprometidos ou em uso de anticoagulantes.
Embora um bloqueio de ramo esquerdo novo possa ser um sinal de miocardite associada, ele não é, por si só, um critério de internação primário na ausência de outros sinais de alto risco. Outras alterações eletrocardiográficas, como depressão do segmento PR e elevação difusa do segmento ST, são mais típicas da pericardite.
A elevação de enzimas cardíacas, como troponinas, indica envolvimento miocárdico concomitante (miopericardite). Essa condição é considerada um fator de mau prognóstico e geralmente requer internação para monitorização e manejo mais intensivo.
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