Pericardite em Paciente Oncológico: Etiologias e Diagnóstico

INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2019

Enunciado

Um homem de 43 anos comparece ao serviço de urgência queixando-se de dor torácica retroesternal, intensa, em aperto, ventilatório dependente, que piora ao decúbito dorsal. Há dispneia e sudorese associadas. Nega quaisquer outras manifestações. Possui linfoma de Hodgkin e está em tratamento quimioterápico. Ao exame físico, PA: 130X85mmHg, FC: 102bpm, FR: 23ipm, SpO2 94%, temperatura axilar: 37,2ºC. Não apresentava alterações aos exames cardiovascular, torácico e abdominal. Os exames de laboratório revelaram hemoglobina: 12,7g/dL, leucócitos: 13.350/µL, neutrófilos segmentados: 10.310/µL, plaquetas: 272.000/µL, troponina: 50ng/L (VR<14 ng/L). O ecocardiograma revelou derrame ericárdico moderado e aorta normal. O eletrocardiograma segue: Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) O paciente apresenta infarto agudo do miocárdio com supraelevação de ST e é candidato à trombólise.
  2. B) A principal hipótese diagnóstica é miocardite aguda.
  3. C) O agente etiológico pode ser viral, neoplásico (metástase) ou medicamentoso (quimioterápico).
  4. D) A realização de angiotomografia computadorizada está indicada para excluir dissecção aguda da aorta.

Pérola Clínica

Dor torácica pleurítica + derrame pericárdico + troponina ↑ em paciente oncológico → considerar etiologias viral, neoplásica ou medicamentosa.

Resumo-Chave

A dor torácica pleurítica que piora ao decúbito e melhora ao sentar-se, associada a derrame pericárdico e elevação de troponina, é altamente sugestiva de pericardite (ou miopericardite). Em um paciente com linfoma de Hodgkin em quimioterapia, é fundamental investigar causas secundárias, como infecções virais, metástases neoplásicas ou cardiotoxicidade induzida por quimioterápicos.

Contexto Educacional

A dor torácica é uma queixa comum no pronto-socorro e exige um diagnóstico diferencial abrangente. No caso apresentado, a descrição da dor (retrosternal, em aperto, ventilatório dependente, piora ao decúbito dorsal), associada à dispneia e sudorese, é altamente sugestiva de pericardite aguda. A presença de derrame pericárdico no ecocardiograma corrobora essa hipótese. A elevação da troponina, embora frequentemente associada a síndromes coronarianas agudas, na pericardite indica um componente de miocardite (miopericardite), onde a inflamação se estende ao miocárdio. O histórico do paciente, com linfoma de Hodgkin em tratamento quimioterápico, é um dado crucial para a investigação etiológica. Em pacientes oncológicos, as causas de pericardite são diversas e incluem infecções (especialmente virais, mas também oportunistas), envolvimento neoplásico direto do pericárdio (metástases ou infiltração pelo linfoma) e cardiotoxicidade induzida por quimioterápicos. Muitos agentes quimioterápicos, como as antraciclinas, são conhecidos por seus efeitos adversos cardíacos, que podem incluir pericardite e miocardite. Para residentes, é fundamental considerar o contexto clínico do paciente ao abordar a dor torácica. A exclusão de infarto agudo do miocárdio é importante, mas a presença de sinais e sintomas típicos de pericardite, juntamente com fatores de risco como câncer e quimioterapia, deve direcionar a investigação para etiologias secundárias. O manejo dependerá da causa subjacente, podendo envolver anti-inflamatórios, colchicina, drenagem do derrame (se houver tamponamento) e, em casos específicos, tratamento da doença de base ou ajuste da quimioterapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da pericardite aguda?

A pericardite aguda classicamente apresenta dor torácica retroesternal, pleurítica, que piora com a inspiração profunda e ao decúbito dorsal, e melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente. Pode haver febre, dispneia e atrito pericárdico à ausculta.

Por que a troponina pode estar elevada na pericardite?

A troponina pode estar elevada na pericardite quando há envolvimento do miocárdio adjacente, caracterizando uma miopericardite. Isso indica algum grau de lesão miocárdica, que pode ocorrer devido à inflamação que se estende do pericárdio para o epicárdio.

Quais são as principais etiologias de pericardite em pacientes oncológicos?

Em pacientes oncológicos, as etiologias de pericardite podem ser variadas: infecciosas (virais, bacterianas, fúngicas), neoplásicas (metástases pericárdicas diretas ou por linfoma/leucemia), ou iatrogênicas (induzidas por radioterapia ou quimioterápicos, como antraciclinas ou ciclofosfamida).

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