Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2015
Paciente de 48 anos com quadro de dor torácica de início súbito, de moderada intensidade, cortante, sem irradiações, com piora à inspiração profunda, procurou o Pronto Atendimento (PA) após 6 horas do início da dor. Na admissão, encontrava-se com pressão arterial de 136 x 76 mmHg; frequência cardíaca de 88 bpm; pulsos cheios, amplos e simétricos bilateralmente. À ausculta cardíaca notava-se um rangido em borda esternal esquerda, melhor audível com o diafragma. Ausculta pulmonar sem alterações relevantes. Hipertenso, tabagista e história familiar de pai com infarto agudo do miocárdio aos 60 anos. Exame laboratorial revelou troponina de 2,54 ng/ml (VR: menor que 0,40). Realizado ECG abaixo: (VER IMAGEM) Considerando o caso clínico descrito, assinale a alternativa que apresenta a MELHOR conduta para esse paciente:
Dor torácica pleurítica + atrito pericárdico + ECG alterado + troponina ↑ → Pericardite aguda.
A dor torácica pleurítica, o atrito pericárdico e as alterações eletrocardiográficas (geralmente supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade superior) são achados clássicos da pericardite aguda. A troponina pode estar elevada devido à inflamação miocárdica concomitante (miopericardite), mas a conduta inicial é para pericardite.
Pericardite aguda é a inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. É uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens e de meia-idade, sendo crucial para o residente saber diferenciá-la de outras condições mais graves, como a síndrome coronariana aguda. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na dor torácica pleurítica, atrito pericárdico e alterações eletrocardiográficas típicas (supradesnivelamento difuso do ST, depressão do PR). A elevação da troponina pode indicar miopericardite, mas não exclui o diagnóstico de pericardite. O ecocardiograma pode mostrar derrame pericárdico. O tratamento de primeira linha inclui AINEs (como ibuprofeno) e colchicina, que reduz a inflamação e previne recorrências. É fundamental evitar o uso de anticoagulantes, a menos que haja uma indicação clara e concomitante, devido ao risco de tamponamento cardíaco em caso de derrame.
A pericardite aguda tipicamente se manifesta com dor torácica pleurítica, que piora com a inspiração e melhora ao inclinar-se para frente, e pode apresentar atrito pericárdico à ausculta.
O tratamento inicial da pericardite aguda geralmente envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno, associados à colchicina para reduzir a recorrência.
No ECG, a pericardite aguda classicamente apresenta supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade superior e depressão do segmento PR, enquanto o IAM tem supradesnivelamento localizado e convexo.
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