Pericardite Aguda: Diagnóstico por ECG e Manejo Terapêutico

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 22 anos refere dor torácica ventilatório-dependente e contínua há 5 dias, iniciada após quadro de síndrome gripal. É solicitado eletrocardiograma com supradesnivelamento difuso do segmento ST. Nesse contexto, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) A alteração eletrocardiográfica descrita é específica de pericardite, estando presente em mais de 90% dos quadros agudos. Apresenta padrão evolutivo que inicia com a inversão da onda T nos primeiros 2 dias, seguido de achatamento difuso da onda T com posterior depressão do segmento PR e elevação difusa do segmento ST.
  2. B) Mais de metade dos pacientes com pericardite apresentam acometimento do miocárdio com elevação da troponina e, assim como na síndrome coronariana aguda, a elevação da troponina é um marcador prognóstico na perimiocardite.
  3. C) Os corticosteroides sistêmicos são a terapia de primeira linha para derrames pericárdicos maiores que 20 mm com objetivo de reduzir complicações, como tamponamento, pericardite constritiva e pericardite recorrente.
  4. D) A colchicina deve ser prescrita na pericardite viral como um complemento à terapia com AINE para redução dos sintomas e da taxa de pericardite recorrente, sendo, geralmente, bem tolerada.

Pérola Clínica

Pericardite = Supra ST difuso + Infra PR. Tratamento: AINE + Colchicina (reduz recorrência).

Resumo-Chave

A pericardite aguda é frequentemente viral. O diagnóstico é clínico-eletrocardiográfico e o tratamento de escolha associa AINEs à colchicina para prevenir episódios recorrentes.

Contexto Educacional

A pericardite aguda é a inflamação do pericárdio, manifestando-se tipicamente por dor torácica pleurítica que melhora com a inclinação do tronco para frente (posição prece maometana). O ECG evolui em quatro estágios, sendo o supra ST difuso o mais precoce. O tratamento visa o controle da inflamação e a prevenção de complicações como o tamponamento cardíaco (raro na forma viral) e a pericardite constritiva. A colchicina é mandatória por pelo menos 3 meses no primeiro episódio.

Perguntas Frequentes

Quais as alterações típicas do ECG na pericardite?

A alteração clássica da fase 1 é o supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade voltada para cima (em 'sela') e a depressão do segmento PR (sinal de Spodick), exceto em aVR.

Por que a colchicina é recomendada?

A colchicina, quando adicionada ao tratamento com AINEs ou aspirina, demonstrou em diversos estudos (como o COPE e ICAP) reduzir significativamente a taxa de recorrência da pericardite e a persistência dos sintomas.

Quando usar corticoides na pericardite?

Corticoides são considerados terapia de segunda linha. Devem ser reservados para casos de contraindicação aos AINEs, falha terapêutica ou doenças autoimunes sistêmicas específicas, devido ao risco de cronificação.

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