UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 22 anos refere dor torácica ventilatório-dependente e contínua há 5 dias, iniciada após quadro de síndrome gripal. É solicitado eletrocardiograma com supradesnivelamento difuso do segmento ST. Nesse contexto, é correto afirmar que:
Pericardite = Supra ST difuso + Infra PR. Tratamento: AINE + Colchicina (reduz recorrência).
A pericardite aguda é frequentemente viral. O diagnóstico é clínico-eletrocardiográfico e o tratamento de escolha associa AINEs à colchicina para prevenir episódios recorrentes.
A pericardite aguda é a inflamação do pericárdio, manifestando-se tipicamente por dor torácica pleurítica que melhora com a inclinação do tronco para frente (posição prece maometana). O ECG evolui em quatro estágios, sendo o supra ST difuso o mais precoce. O tratamento visa o controle da inflamação e a prevenção de complicações como o tamponamento cardíaco (raro na forma viral) e a pericardite constritiva. A colchicina é mandatória por pelo menos 3 meses no primeiro episódio.
A alteração clássica da fase 1 é o supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade voltada para cima (em 'sela') e a depressão do segmento PR (sinal de Spodick), exceto em aVR.
A colchicina, quando adicionada ao tratamento com AINEs ou aspirina, demonstrou em diversos estudos (como o COPE e ICAP) reduzir significativamente a taxa de recorrência da pericardite e a persistência dos sintomas.
Corticoides são considerados terapia de segunda linha. Devem ser reservados para casos de contraindicação aos AINEs, falha terapêutica ou doenças autoimunes sistêmicas específicas, devido ao risco de cronificação.
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