Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2023
Mulher, 52 anos, tabagista, portadora de lúpus eritematoso sistêmico e hipertensão arterial sistêmica, chega no pronto socorro com precordialgia intensa iniciada há 5 horas, espontaneamente, em repouso, que piora durante a inspiração forçada, irradiada para ombros, sem melhora desde então. Ao exame: regular estado geral, corada, acianótica, anictérica, desidratada +/4+, Tax: 38,1°C. Lúcida, orientada em tempo e espaço, pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem déficits focais. Ritmo cardíaco regular, 2 tempos, bulhas hipofonéticas, sem sopros, FC: 106 bpm, PA: 142/80 mmHg, jugulares túrgidas, TEC < 3 segundos. Murmúrio vesicular fisiológico, sem ruídos adventícios, eupneica em ar ambiente, SpO2: 97%. Realizado eletrocardiograma e ultrassonografia cardíaca point-of-care na admissão, cujas imagens estão abaixo. O diagnóstico e tratamento, deste paciente são, respectivamente:
Dor torácica pleurítica + febre + bulhas hipofonéticas + LES → Pericardite aguda, tratar com AINEs + Colchicina.
A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, frequentemente manifestada por dor torácica pleurítica que piora com a inspiração e melhora ao sentar e inclinar-se para frente. A presença de febre e bulhas hipofonéticas, especialmente em pacientes com doenças autoimunes como LES, sugere o diagnóstico. O tratamento padrão inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e colchicina.
A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. É uma causa comum de dor torácica em pronto-socorro, com etiologia frequentemente viral ou idiopática, mas também associada a doenças autoimunes como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), trauma ou uremia. O diagnóstico baseia-se na tríade clássica de dor torácica pleurítica, atrito pericárdico e alterações eletrocardiográficas (supradesnivelamento difuso do segmento ST). Exames complementares como ecocardiograma podem revelar derrame pericárdico. A diferenciação com outras causas de dor torácica é fundamental. O tratamento padrão envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno, para controle da dor e inflamação, associados à colchicina, que reduz a taxa de recorrência. Residentes devem dominar o reconhecimento dos sinais e sintomas, a interpretação dos exames e a prescrição adequada para garantir um manejo eficaz e prevenir complicações.
Os critérios incluem dor torácica típica (pleurítica, melhora ao sentar), atrito pericárdico, alterações eletrocardiográficas (supradesnivelamento difuso do segmento ST ou inversão de onda T) e derrame pericárdico (novo ou piora). Pelo menos dois são necessários.
A colchicina é um anti-inflamatório que reduz a inflamação pericárdica e, crucialmente, diminui significativamente o risco de recorrência da pericardite, sendo recomendada em combinação com AINEs.
A dor da pericardite é tipicamente pleurítica, piora com a inspiração e melhora ao sentar e inclinar-se para frente. A dor do IAM é mais constritiva, retroesternal, irradia para membro superior esquerdo/mandíbula e não melhora com a posição. O ECG também difere, com supradesnivelamento difuso na pericardite e localizado no IAM.
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