TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Paciente do sexo masculino, 19 anos, apresenta queixa de dor torácica que piora com respiração e melhora com inclinação do tórax, iniciada há 20 horas. Apresenta quadro de infecção de vias aéreas nos últimos dois dias. Ao exame físico, apresentava ruido cardíaco semelhante a um ranger de couro. Foi feito o ECG que apresenta as alterações, conforme imagem abaixo. Qual a alternativa correta sobre o quadro do paciente?
Dor pleurítica + melhora com inclinação anterior + atrito pericárdico = Pericardite Aguda.
O tratamento de primeira linha para pericardite aguda idiopática ou viral consiste em AINEs em doses anti-inflamatórias associados à colchicina.
A pericardite aguda é uma inflamação do saco pericárdico, frequentemente precedida por uma infecção viral das vias aéreas superiores. O quadro clínico é marcado pela dor torácica retroesternal de caráter pleurítico, que se intensifica com a inspiração profunda e o decúbito dorsal, aliviando-se com a posição de prece maometana (inclinação do tronco para frente). O sinal patognomônico ao exame físico é o atrito pericárdico. O diagnóstico é clínico, apoiado por alterações no ECG e marcadores inflamatórios elevados (PCR/VHS). É crucial diferenciar a pericardite do infarto do miocárdio; na pericardite, o supra de ST é difuso (não respeita territórios arteriais) e não apresenta imagem em espelho. O tratamento visa o controle da dor e da inflamação, sendo o ibuprofeno uma excelente escolha inicial.
O ECG da pericardite evolui em quatro estágios: 1) Supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade para cima e infradesnivelamento do segmento PR; 2) Normalização do ST e PR; 3) Inversão generalizada da onda T; 4) Normalização do ECG. O infra de PR é um achado altamente específico para pericardite aguda.
A primeira linha envolve AINEs (como Ibuprofeno 600-800mg 8/8h ou Aspirina 750-1000mg 8/8h) por 1 a 2 semanas, com desmame gradual após remissão dos sintomas. A associação de Colchicina (0,5mg 1-2x/dia) por 3 meses é fundamental para reduzir a taxa de recorrência em até 50%.
Critérios de alto risco que indicam internação incluem: febre alta (>38°C), início subagudo, derrame pericárdico volumoso, tamponamento cardíaco, falha de resposta aos AINEs após 7 dias, miopericardite associada (troponina elevada) e uso de anticoagulantes orais.
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