IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2022
Um paciente de 55 anos de idade relata que, recentemente, teve um quadro de síndrome gripal e realizou dois testes para covid-19, com resultado negativo. Relata, também, não ter nenhuma comorbidade diagnosticada. Procurou uma UBS de referência, próxima à sua casa, pois, há alguns dias, está com dor torácica à esquerda, que piora em algumas posições, e relata que nunca tinha sentido algo parecido antes. Foi realizado um eletrocardiograma (imagem abaixo) no local e, em seguida, solicitada a sua transferência para um serviço de emergência.Com base nesse caso hipotético, é correto afirmar que, ao chegar no serviço de emergência, a melhor conduta é
Dor torácica posicional + supradesnivelamento difuso ST + PR infradesnivelado pós-infecção viral → Pericardite aguda.
O quadro de dor torácica pleurítica que piora em certas posições, associado a um histórico de infecção viral recente e achados de supradesnivelamento difuso do segmento ST e infradesnivelamento do segmento PR no ECG, é altamente sugestivo de pericardite aguda. A conduta inicial é o tratamento sintomático com anti-inflamatórios.
A pericardite aguda é a inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. Frequentemente, é precedida por uma infecção viral (como uma síndrome gripal), sendo uma das causas mais comuns de dor torácica em pacientes jovens sem comorbidades cardiovasculares. A dor torácica é tipicamente pleurítica, aguda, retroesternal, com irradiação para ombros ou dorso, e classicamente piora com a inspiração profunda, tosse e decúbito dorsal, melhorando ao sentar e inclinar-se para frente. A ausculta pode revelar atrito pericárdico. O diagnóstico baseia-se na apresentação clínica, achados eletrocardiográficos e, por vezes, ecocardiográficos. No ECG, os achados característicos incluem supradesnivelamento difuso e côncavo do segmento ST em várias derivações (exceto aVR e V1) e, mais especificamente, infradesnivelamento do segmento PR, que reflete a inflamação atrial. A elevação de troponina pode ocorrer devido à miopericardite, mas não indica necessariamente SCA. A diferenciação com SCA é crucial, e a história e o ECG são fundamentais. A conduta inicial para pericardite aguda de etiologia viral ou idiopática (a mais comum) é o tratamento sintomático com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno ou aspirina, em altas doses, geralmente associados à colchicina para reduzir a inflamação e prevenir recorrências. Corticoides são geralmente evitados como primeira linha devido ao risco de recorrência e são reservados para casos refratários ou com contraindicações aos AINEs. A observação da evolução clínica é importante, e exames adicionais como troponina e função renal são úteis para monitoramento.
Os achados clássicos incluem supradesnivelamento difuso do segmento ST (geralmente côncavo para cima) em múltiplas derivações, exceto aVR e V1, e infradesnivelamento do segmento PR, que é patognomônico e reflete a inflamação atrial.
A dor da pericardite é tipicamente pleurítica, aguda, retroesternal, que piora com a inspiração profunda, tosse e decúbito dorsal, e melhora ao sentar e inclinar-se para frente. A dor da SCA é geralmente opressiva, não posicional, e pode irradiar para braço esquerdo ou mandíbula.
A conduta inicial envolve o alívio da dor e inflamação com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) em altas doses, frequentemente combinados com colchicina para reduzir a recorrência. Corticoides são reservados para casos específicos ou refratários devido ao risco de recorrência.
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