HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023
Mulher de 46 anos portadora de lúpus eritematoso sistêmico em remissão, atualmente no processo de retirada de prednisona, tomando 10 mg em dias alternados, é atendida no pronto-socorro com queixa de dor precordial de natureza progressiva há cerca de 6 horas. O exame físico não mostra alterações significativas. O eletrocardiograma realizado na sala de emergência é mostrado abaixo:O diagnóstico mais provavelmente é de
Dor precordial + LES + ECG com ST difuso côncavo e PR ↓ → Pericardite aguda.
Pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) têm maior risco de pericardite. A dor precordial progressiva, associada a um ECG com supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade superior e infradesnivelamento do segmento PR, é altamente sugestiva de pericardite aguda, especialmente no contexto de retirada de corticoides que poderiam mascarar a inflamação.
A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração, e é uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens. O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune que frequentemente afeta o pericárdio, sendo a pericardite uma das suas manifestações cardíacas mais prevalentes, podendo ocorrer mesmo em fases de remissão aparente ou durante a redução de imunossupressores. O quadro clínico típico de pericardite aguda inclui dor torácica pleurítica, que piora com a inspiração profunda e decúbito dorsal, e melhora ao sentar e inclinar-se para frente. O exame físico pode revelar atrito pericárdico. No entanto, o eletrocardiograma (ECG) é fundamental para o diagnóstico, mostrando classicamente supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade superior em múltiplas derivações, e frequentemente infradesnivelamento do segmento PR, que é patognomônico e reflete a inflamação atrial. É crucial diferenciar a pericardite aguda do infarto agudo do miocárdio, pois ambos podem apresentar supradesnivelamento do ST. A natureza difusa e côncava do ST, a ausência de ondas Q patológicas e o infradesnivelamento do PR são chaves para o diagnóstico de pericardite. O manejo envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e colchicina, com corticoides reservados para casos refratários ou de etiologia autoimune grave.
Os critérios incluem dor torácica pleurítica, atrito pericárdico, alterações eletrocardiográficas (supradesnivelamento difuso do ST e/ou infradesnivelamento do PR) e derrame pericárdico (no ecocardiograma). Dois dos quatro critérios são geralmente necessários.
Na pericardite, o supradesnivelamento do ST é difuso, geralmente côncavo para cima, e frequentemente acompanhado de infradesnivelamento do segmento PR. No IAM, o ST é tipicamente convexo, localizado em territórios arteriais específicos e pode haver ondas Q patológicas.
A pericardite é uma das manifestações cardíacas mais comuns do LES, ocorrendo em até 50% dos pacientes. É uma inflamação do pericárdio causada pela doença autoimune, e pode ser a primeira manifestação ou ocorrer durante exacerbações.
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