Pericardite Aguda: Diagnóstico no Lúpus e ECG

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 46 anos portadora de lúpus eritematoso sistêmico em remissão, atualmente no processo de retirada de prednisona, tomando 10 mg em dias alternados, é atendida no pronto-socorro com queixa de dor precordial de natureza progressiva há cerca de 6 horas. O exame físico não mostra alterações significativas. O eletrocardiograma realizado na sala de emergência é mostrado abaixo:O diagnóstico mais provavelmente é de

Alternativas

  1. A) pericardite aguda.
  2. B) infarto agudo do miocárdio em área inferior. 
  3. C) infarto antigo do miocárdio em ventrículo direito.
  4. D) infarto agudo do miocárdio em parede lateral. 
  5. E) distúrbio de condução no ramo direito.

Pérola Clínica

Dor precordial + LES + ECG com ST difuso côncavo e PR ↓ → Pericardite aguda.

Resumo-Chave

Pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) têm maior risco de pericardite. A dor precordial progressiva, associada a um ECG com supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade superior e infradesnivelamento do segmento PR, é altamente sugestiva de pericardite aguda, especialmente no contexto de retirada de corticoides que poderiam mascarar a inflamação.

Contexto Educacional

A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração, e é uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens. O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune que frequentemente afeta o pericárdio, sendo a pericardite uma das suas manifestações cardíacas mais prevalentes, podendo ocorrer mesmo em fases de remissão aparente ou durante a redução de imunossupressores. O quadro clínico típico de pericardite aguda inclui dor torácica pleurítica, que piora com a inspiração profunda e decúbito dorsal, e melhora ao sentar e inclinar-se para frente. O exame físico pode revelar atrito pericárdico. No entanto, o eletrocardiograma (ECG) é fundamental para o diagnóstico, mostrando classicamente supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade superior em múltiplas derivações, e frequentemente infradesnivelamento do segmento PR, que é patognomônico e reflete a inflamação atrial. É crucial diferenciar a pericardite aguda do infarto agudo do miocárdio, pois ambos podem apresentar supradesnivelamento do ST. A natureza difusa e côncava do ST, a ausência de ondas Q patológicas e o infradesnivelamento do PR são chaves para o diagnóstico de pericardite. O manejo envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e colchicina, com corticoides reservados para casos refratários ou de etiologia autoimune grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pericardite aguda?

Os critérios incluem dor torácica pleurítica, atrito pericárdico, alterações eletrocardiográficas (supradesnivelamento difuso do ST e/ou infradesnivelamento do PR) e derrame pericárdico (no ecocardiograma). Dois dos quatro critérios são geralmente necessários.

Como diferenciar o supradesnivelamento do ST da pericardite do infarto agudo do miocárdio no ECG?

Na pericardite, o supradesnivelamento do ST é difuso, geralmente côncavo para cima, e frequentemente acompanhado de infradesnivelamento do segmento PR. No IAM, o ST é tipicamente convexo, localizado em territórios arteriais específicos e pode haver ondas Q patológicas.

Qual a relação entre Lúpus Eritematoso Sistêmico e pericardite?

A pericardite é uma das manifestações cardíacas mais comuns do LES, ocorrendo em até 50% dos pacientes. É uma inflamação do pericárdio causada pela doença autoimune, e pode ser a primeira manifestação ou ocorrer durante exacerbações.

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