Pericardite Aguda: Diagnóstico e Tratamento Essencial

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 53 anos, hipertenso, diabético e tabagista, comparece ao serviço de emergência com queixa de dor precordial, de intensidade 8 em 10, em peso, contínua, há 24 horas, com piora acentuada ao se deitar e melhora com a inclinação do tórax para a frente. Associado ao quadro, refere ansiedade e sudorese. Exame físico: regular estado geral, temperatura axilar = 37,6 ºC, PA = 150 x 100 mmHg, SpO₂ = 93% em ar ambiente; sem outras alterações ao exame clínico. Foi realizado eletrocardiograma que está ilustrado a seguir.A abordagem terapêutica correta, com base na principal hipótese diagnóstica, deve ser feita com

Alternativas

  1. A) angioplastia coronária.
  2. B) tenecteplase.
  3. C) enoxaparina plena.
  4. D) colchicina e anti-inflamatório não hormonal.
  5. E) corticoide.

Pérola Clínica

Dor precordial pleurítica que melhora ao inclinar-se para frente + febre baixa + ECG com supra difuso → Pericardite aguda.

Resumo-Chave

A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, frequentemente viral, que causa dor torácica pleurítica. O tratamento de primeira linha envolve AINEs e colchicina, que reduz a recorrência e acelera a resolução dos sintomas.

Contexto Educacional

A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração, e é uma causa comum de dor torácica em serviços de emergência. Sua etiologia é frequentemente viral ou idiopática, mas outras causas como doenças autoimunes, uremia e pós-infarto devem ser consideradas. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações e iniciar o tratamento adequado. O diagnóstico baseia-se na tríade clássica de dor torácica pleurítica (melhora ao sentar e inclinar-se para frente), atrito pericárdico e alterações eletrocardiográficas (supradesnivelamento difuso e côncavo do segmento ST, sem alterações recíprocas, e depressão do segmento PR). Exames laboratoriais podem mostrar elevação de marcadores inflamatórios e, em alguns casos, troponinas. A ecocardiografia é útil para avaliar a presença de derrame pericárdico e sua repercussão hemodinâmica. O tratamento da pericardite aguda não complicada envolve anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) em altas doses, como ibuprofeno ou aspirina, associados à colchicina. A colchicina é fundamental para reduzir a taxa de recorrência. Corticosteroides são reservados para casos refratários ou com contraindicações aos AINEs, devido ao risco aumentado de recorrência. A duração do tratamento varia, mas a colchicina é geralmente mantida por pelo menos 3 meses.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da pericardite aguda?

A pericardite aguda tipicamente apresenta dor torácica pleurítica, que piora com a inspiração profunda e ao deitar, e melhora ao inclinar o tronco para frente. Pode haver febre baixa e atrito pericárdico à ausculta.

Por que a colchicina é utilizada no tratamento da pericardite aguda?

A colchicina é um anti-inflamatório que, quando adicionado aos AINEs, reduz significativamente o risco de recorrência da pericardite e acelera a resolução dos sintomas, sendo recomendada como parte do tratamento inicial.

Como diferenciar a dor da pericardite aguda da dor do infarto agudo do miocárdio?

A dor da pericardite é geralmente pleurítica, melhora ao sentar e inclinar-se para frente, e o ECG mostra supradesnivelamento difuso e côncavo do segmento ST. No IAM, a dor é tipicamente opressiva, não posicional, e o ECG apresenta supradesnivelamento em parede específica, com alterações recíprocas.

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