Pericardite Aguda: Diagnóstico e Tratamento Inicial

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Homem de 45 anos se queixa de dor retroesternal de forte intensidade, em aperto, mais intensa à inspiração, que piora em decúbito dorsal e alivia quando se assenta. Associa-se dispneia. Desconhece ser portador de doenças quaisquer. Ao exame físico, PA: 154x82mmHg (membro superior direito) e 146x78mmHg (membro superior esquerdo), FC: 123bpm, FR: 21ipm, SpO₂ 97% (em ar ambiente). Sem anormalidades no restante do exame físico. A radiografia do tórax não apresentou alterações. O eletrocardiograma encontra-se a seguir: Assinale a conduta MAIS ADEQUADA nesse momento para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Analgesia com anti-inflamatório não esteroidal e colchicina.
  2. B) Prescrição de AAS, ticagrelor e enoxaparina e betabloqueador.
  3. C) Realização de angiotomografia do tórax.
  4. D) Realização de cateterismo cardíaco.

Pérola Clínica

Dor retroesternal pleurítica, pior em decúbito, melhora sentado + ECG com supradesnivelamento difuso ST → Pericardite aguda = AINE + Colchicina.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor retroesternal pleurítica, que piora com a inspiração e em decúbito dorsal e melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente, é altamente sugestivo de pericardite aguda. A conduta inicial mais adequada envolve analgesia com anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e colchicina.

Contexto Educacional

A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. É uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens e de meia-idade. A etiologia é frequentemente viral (idiopática), mas pode ser secundária a doenças autoimunes, infarto do miocárdio, uremia, trauma ou neoplasias. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar complicações como o tamponamento cardíaco ou a pericardite constritiva. O diagnóstico é baseado na tríade clássica: dor torácica pleurítica e postural, atrito pericárdico (nem sempre presente) e alterações eletrocardiográficas. A dor é tipicamente retroesternal, aguda, piora com a inspiração e em decúbito, e melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente. O ECG pode mostrar supradesnivelamento difuso do segmento ST e infradesnivelamento do segmento PR. Exames complementares como ecocardiograma podem identificar derrame pericárdico. A conduta mais adequada para a pericardite aguda, na ausência de sinais de gravidade ou etiologia específica que exija outra abordagem, é a analgesia e anti-inflamação. Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) em altas doses, como ibuprofeno ou aspirina, são a primeira linha de tratamento. A colchicina é recomendada como terapia adjuvante para reduzir a inflamação e prevenir recorrências, sendo utilizada por um período mais prolongado.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da dor torácica na pericardite aguda?

A dor na pericardite aguda é tipicamente retroesternal, pleurítica (piora com a inspiração profunda e tosse), pode irradiar para o trapézio, piora em decúbito dorsal e melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente. Pode ser de forte intensidade.

Qual o papel do ECG no diagnóstico da pericardite aguda?

O eletrocardiograma (ECG) na pericardite aguda classicamente mostra supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade para cima em múltiplas derivações, sem alterações recíprocas, e infradesnivelamento do segmento PR. Essas alterações evoluem em fases.

Por que a colchicina é usada no tratamento da pericardite aguda?

A colchicina é um agente anti-inflamatório que demonstrou reduzir a taxa de recorrência da pericardite aguda e crônica. Ela atua inibindo a migração de neutrófilos e a inflamação, sendo um adjuvante importante aos AINEs.

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