Pericardite Aguda: Conduta e Tratamento com AINEs

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Paciente, 35 anos, previamente hígido, apresenta-se à sala de emergência com quadro de dor torácica aguda. Ele descreve a dor como em pontada e agravada pela respiração profunda ou pela mudança de posição. O paciente também relata febre baixa e mal-estar geral. O eletrocardiograma revelou elevação do segmento ST e infradesnivelamento do segmento PR difusos, exceto em aVR. Exames laboratoriais realizados mostraram leucocitose, além de proteína C-reativa e troponina elevadas. Qual a conduta mais adequada, levando-se em consideração o diagnóstico desse paciente?

Alternativas

  1. A) Iniciar anticoagulação com enoxaparina.
  2. B) Administrar inibidores da bomba de prótons.
  3. C) Iniciar tratamento com anti-inflamatórios não esteroidais.
  4. D) Encaminhar o paciente para angioplastia coronariana invasiva imediatamente.

Pérola Clínica

Pericardite aguda (dor pleurítica, ST difuso, PR ↓) → tratamento inicial com AINEs.

Resumo-Chave

O quadro clínico e eletrocardiográfico (dor pleurítica, febre, mal-estar, elevação difusa do ST e infradesnivelamento do PR, exceto em aVR) é altamente sugestivo de pericardite aguda. A elevação de troponina indica envolvimento miocárdico (miopericardite), mas a conduta inicial para a pericardite é o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), frequentemente associados à colchicina.

Contexto Educacional

A pericardite aguda é uma condição inflamatória do pericárdio, que se manifesta com dor torácica aguda, frequentemente pleurítica, febre baixa e mal-estar. O eletrocardiograma (ECG) é uma ferramenta diagnóstica essencial, revelando elevação difusa do segmento ST e infradesnivelamento do segmento PR, exceto em aVR. Exames laboratoriais podem mostrar marcadores inflamatórios elevados, como leucocitose e proteína C-reativa, e a troponina pode estar levemente elevada, indicando miopericardite. O diagnóstico diferencial com infarto agudo do miocárdio é crucial. Enquanto o IAM apresenta elevação do ST regional e convexa, a pericardite exibe elevação difusa e côncava, além do infradesnivelamento do PR. A conduta mais adequada para a pericardite aguda, na ausência de sinais de tamponamento cardíaco ou miocardite grave, é o tratamento com anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como ibuprofeno ou aspirina, em doses elevadas. A colchicina é frequentemente adicionada ao regime de AINEs, pois demonstrou reduzir a duração dos sintomas e, mais importante, diminuir a taxa de recorrência da pericardite. Corticosteroides são geralmente reservados para casos refratários ou quando há contraindicações aos AINEs, devido ao risco de recorrência e efeitos adversos. O acompanhamento clínico e ecocardiográfico é importante para monitorar a resposta ao tratamento e identificar possíveis complicações.

Perguntas Frequentes

Qual é o tratamento de primeira linha para a pericardite aguda?

O tratamento de primeira linha para a pericardite aguda é com anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como ibuprofeno ou aspirina em altas doses, frequentemente combinados com colchicina para reduzir a taxa de recorrência.

Por que a colchicina é utilizada no tratamento da pericardite aguda?

A colchicina é um agente anti-inflamatório que, quando adicionado aos AINEs, demonstrou reduzir a duração dos sintomas, prevenir recorrências e diminuir a necessidade de hospitalização em pacientes com pericardite aguda.

Como diferenciar a elevação do ST da pericardite daquela do infarto agudo do miocárdio?

Na pericardite, a elevação do ST é difusa, côncava e geralmente acompanhada de infradesnivelamento do PR. No infarto, a elevação do ST é regional, convexa e pode haver ondas Q patológicas e alterações recíprocas.

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