IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Homem, de 45 anos de idade, comparece à unidade de emergência com queixa de dor torácica há 1 dia, que foi caracterizada como sendo constritiva, de forte intensidade (piorou nas últimas 12 horas), que piora com a respiração profunda e com o decúbito dorsal, mas não tem fatores de melhora. Sem outras queixas. Tem história prévia de hipertensão arterial sistêmica e diabetes tipo 2, bem controlados com medicações de uso contínuo. Além disso, relata que teve um quadro gripal há 2 semanas, que durou 5 dias e se resolveu espontaneamente. Ao exame, apresenta pressão arterial de 150x80mmHg e frequência cardíaca de 82bpm. Sem outras alterações no exame físico segmentar. O ECG realizado na admissão pode ser visto na imagem a seguir: Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é o tratamento indicado neste momento?
Dor torácica pleurítica + supradesnivelamento difuso ST + história viral recente → Pericardite aguda = AINEs.
O quadro clínico de dor torácica pleurítica que piora com decúbito e respiração profunda, associado a supradesnivelamento difuso do segmento ST no ECG e história de infecção viral recente, é altamente sugestivo de pericardite aguda. O tratamento de primeira linha para pericardite aguda sem complicações é com anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs).
A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. É uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens e de meia-idade, frequentemente precedida por uma infecção viral do trato respiratório superior, como no caso descrito. A dor é tipicamente pleurítica (piora com a inspiração profunda), constritiva, retroesternal, e pode irradiar para o trapézio. Caracteristicamente, piora com o decúbito dorsal e melhora ao sentar e inclinar-se para frente, devido à redução do atrito pericárdico. O diagnóstico da pericardite aguda é primariamente clínico e eletrocardiográfico. O ECG é crucial e mostra supradesnivelamento difuso do segmento ST, côncavo para cima, em múltiplas derivações, e infradesnivelamento do segmento PR, que é um achado bastante específico. É fundamental diferenciar esses achados de um infarto agudo do miocárdio, onde o supradesnivelamento do ST é regional e convexo. A ausculta pode revelar atrito pericárdico, um som áspero e trifásico, embora sua ausência não exclua o diagnóstico. O tratamento da pericardite aguda idiopática ou viral, sem sinais de gravidade ou complicações, baseia-se em anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como ibuprofeno ou aspirina, em doses elevadas por algumas semanas, com desmame gradual. A colchicina é frequentemente adicionada para reduzir a taxa de recorrência. Corticosteroides são reservados para casos refratários ou específicos, devido ao risco de recorrência e efeitos adversos. A anticoagulação é contraindicada na ausência de outras indicações, pelo risco de tamponamento pericárdico hemorrágico.
Os achados clássicos incluem supradesnivelamento difuso do segmento ST, côncavo para cima, em múltiplas derivações, e infradesnivelamento do segmento PR. Ondas T podem se inverter posteriormente, mas não há ondas Q patológicas.
A dor piora com o decúbito dorsal e a inspiração profunda devido ao contato do pericárdio inflamado com as pleuras adjacentes e o diafragma. A inclinação para frente alivia a dor ao reduzir essa fricção.
Na pericardite, o supradesnivelamento de ST é difuso, côncavo para cima e não há ondas Q patológicas. No IAM, é regional, convexo para cima e frequentemente associado a ondas Q patológicas, indicando necrose miocárdica.
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