Pericardite Aguda: Diagnóstico, Prognóstico e Biomarcadores

ENARE/ENAMED — Prova 2021

Enunciado

A pericardite é uma doença inflamatória de etiologia autoimune ou infecciosa que acomete o pericárdio e faz parte do diagnóstico diferencial de dor torácica. Atualmente, cerca de 1% dos casos de infarto agudo do miocárdio que têm elevação do segmento ST são, na verdade, pericardite. Sobre esse tema, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) a pericardite bacteriana é a forma infecciosa mais comum.
  2. B) o citomegalovírus é um agente comum em imunodeprimidos e soropositivos.
  3. C) A síndrome de Marfan é uma causa autoimune comum.
  4. D) a forma que ocorre pós-infarto do miocárdio deve ser aventada em sintomas que ocorrem após 3 semanas do evento.
  5. E) a dosagem de BNP e NT-proBNP deve ser rotineira porque indica o prognóstico da doença.

Pérola Clínica

Pericardite: BNP/NT-proBNP elevados → envolvimento miocárdico e pior prognóstico.

Resumo-Chave

A elevação de BNP e NT-proBNP na pericardite sugere envolvimento miocárdico concomitante (miopericardite), o que confere um pior prognóstico e requer uma avaliação mais cuidadosa, diferenciando-a da pericardite pura.

Contexto Educacional

A pericardite é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração, e é uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens. Pode ser de etiologia infecciosa (viral é a mais comum) ou não infecciosa (autoimune, pós-infarto, urêmica, neoplásica). É crucial diferenciá-la de outras causas de dor torácica aguda, como o infarto agudo do miocárdio, especialmente em cenários de emergência. O diagnóstico da pericardite aguda baseia-se em critérios clínicos (dor torácica pleurítica, atrito pericárdico), eletrocardiográficos (elevação difusa do segmento ST com concavidade para cima, depressão do PR), e exames de imagem (ecocardiograma pode mostrar derrame pericárdico). A elevação de marcadores inflamatórios como PCR e VHS é comum. A dosagem de troponinas pode estar elevada na miopericardite, indicando envolvimento miocárdico. A dosagem de peptídeos natriuréticos cerebrais (BNP e NT-proBNP) tem um papel prognóstico na pericardite. Níveis elevados desses biomarcadores indicam envolvimento miocárdico concomitante (miopericardite), o que está associado a um risco aumentado de complicações como disfunção ventricular e recorrência, e, portanto, um pior prognóstico. O tratamento geralmente envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e colchicina.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e eletrocardiográficos da pericardite aguda?

A pericardite aguda classicamente apresenta dor torácica pleurítica que melhora ao sentar e inclinar-se para frente, atrito pericárdico e alterações eletrocardiográficas como elevação difusa do segmento ST com concavidade para cima e depressão do segmento PR.

Por que o BNP e NT-proBNP são importantes na avaliação da pericardite?

A elevação do BNP e NT-proBNP na pericardite sugere envolvimento do miocárdio (miopericardite), indicando um prognóstico menos favorável e a necessidade de monitoramento mais intensivo devido ao risco de disfunção ventricular.

Qual a etiologia mais comum da pericardite aguda?

A etiologia mais comum da pericardite aguda é viral (especialmente enterovírus como Coxsackie B), seguida por causas idiopáticas. Causas bacterianas são menos frequentes, mas mais graves.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo