Pericardite Aguda: Diagnóstico por ECG e Sinais Clínicos

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 55 anos de idade, procura o Pronto-Socorro com queixa de dor torácica precordial de moderada intensidade, contínua, há 1 dia. A dor iniciou durante atividade física. Não notou irradiação, fatores de melhora ou de piora. Ao exame clínico apresenta frequência cardíaca de 115 bpm, pressão arterial 130/80 mmHg em todos os membros, com pulsos simétricos. Frequência respiratória 18 irpm. Não há alterações na semiologia cardíaca ou pulmonar. O restante do exame clínico é normal. Solicitado o eletrocardiograma a seguir. Qual é a hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Infarto agudo do miocárdio.
  2. B) Hipercalemia.
  3. C) Tromboembolismo Pulmonar.
  4. D) Pericardite.

Pérola Clínica

Dor torácica pleurítica + Supradesnivelamento ST difuso e concavidade superior + Depressão PR → Pericardite.

Resumo-Chave

A pericardite aguda é uma causa comum de dor torácica, caracterizada por dor precordial pleurítica, que piora com a inspiração e melhora ao inclinar-se para frente. O eletrocardiograma (ECG) é fundamental para o diagnóstico, tipicamente mostrando supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade superior e, em muitos casos, depressão do segmento PR, que é um sinal precoce e específico.

Contexto Educacional

A pericardite aguda é a inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. É uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens e de meia-idade, muitas vezes de etiologia viral ou idiopática. O diagnóstico precoce é importante para evitar complicações como o tamponamento cardíaco ou a pericardite constritiva. A fisiopatologia envolve a inflamação do pericárdio, que pode levar ao acúmulo de líquido (derrame pericárdico) e à dor. Os critérios diagnósticos incluem dor torácica típica, atrito pericárdico, alterações eletrocardiográficas características e/ou derrame pericárdico. A dor é geralmente pleurítica, piora com a inspiração e melhora com a inclinação para frente. O eletrocardiograma (ECG) é uma ferramenta diagnóstica essencial. As alterações clássicas incluem supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade superior em múltiplas derivações (exceto aVR e V1) e depressão do segmento PR, que reflete a inflamação atrial. É crucial diferenciar essas alterações das encontradas no infarto agudo do miocárdio, que apresenta supradesnivelamento do ST mais localizado e convexo. O tratamento geralmente envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e colchicina.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da dor torácica na pericardite aguda?

A dor é tipicamente precordial, aguda, pleurítica (piora com a inspiração profunda e tosse), pode irradiar para o trapézio e melhora ao sentar e inclinar-se para frente. É contínua, mas pode ter exacerbações.

Quais são as alterações clássicas no ECG da pericardite aguda?

As alterações incluem supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade superior em várias derivações, exceto aVR e V1, e depressão do segmento PR, que é um sinal precoce e altamente sugestivo de pericardite.

Como diferenciar o ECG da pericardite do infarto agudo do miocárdio?

No IAM, o supradesnivelamento do ST é localizado, geralmente convexo, e acompanhado de alterações recíprocas e, eventualmente, ondas Q patológicas. Na pericardite, o ST é difuso, côncavo para cima e sem ondas Q patológicas.

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