UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021
Homem, 42a, procurou o pronto atendimento com queixa de dor precordial há duas horas, ventilatório-dependente, piora quando se deita e melhora quando fica em pé. Refere também febre e mal-estar há quatro dias, com melhora após uso de paracetamol. Exame físico: = 38o C, PA= 112x86 mmHg; FC= 112 bpm, FR= 21 irpm; Coração: rangido de alta frequência, mais audível no final da expiração. Troponina= 123 ng/mL; ECG:O DIAGNÓSTICO É:
Dor precordial ventilatório-dependente, melhora em pé + febre + rangido pericárdico + troponina ↑ = Pericardite Aguda.
A pericardite aguda é caracterizada por dor precordial pleurítica, que piora em decúbito e melhora na posição sentada/inclinada para frente, frequentemente acompanhada de febre e atrito pericárdico. A elevação da troponina pode ocorrer devido à inflamação miocárdica adjacente (miopericardite).
A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. É uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens e de meia-idade que procuram o pronto atendimento. O reconhecimento precoce e o diagnóstico diferencial com outras causas de dor precordial, como o infarto agudo do miocárdio, são essenciais para evitar condutas inadequadas e garantir o tratamento correto. A etiologia mais comum é viral, mas outras causas incluem autoimunes, neoplásicas e pós-infarto. O quadro clínico clássico da pericardite aguda inclui dor precordial de caráter pleurítico, que piora com a inspiração profunda, tosse e decúbito dorsal, e melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente. Frequentemente, há pródromos virais, como febre e mal-estar. No exame físico, o achado mais característico é o atrito ou rangido pericárdico, um som de alta frequência, mais audível na borda esternal esquerda, que pode ser trifásico (sistólico, diastólico precoce e pré-sistólico). A elevação de marcadores inflamatórios (PCR, VHS) e, em alguns casos, de troponina (indicando miopericardite), são achados laboratoriais comuns. O eletrocardiograma (ECG) na pericardite aguda tipicamente mostra supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade para cima, sem imagens em espelho, e infradesnivelamento do segmento PR. O ecocardiograma pode revelar derrame pericárdico, mas sua ausência não exclui o diagnóstico. O tratamento geralmente envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e colchicina, com boa resposta na maioria dos casos. Em casos de etiologia específica ou complicações, como tamponamento cardíaco, intervenções mais específicas podem ser necessárias.
A pericardite aguda tipicamente apresenta dor precordial aguda, pleurítica (piora com a inspiração profunda), que irradia para o trapézio, piora em decúbito dorsal e melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente. Febre e mal-estar são comuns.
O rangido pericárdico é um som de alta frequência, áspero e arranhado, audível na ausculta cardíaca, resultante do atrito entre as camadas inflamadas do pericárdio. É um sinal patognomônico da pericardite aguda, embora possa ser transitório e nem sempre presente.
A elevação da troponina na pericardite aguda indica envolvimento inflamatório do miocárdio adjacente ao pericárdio, uma condição conhecida como miopericardite. Isso não significa necessariamente um infarto, mas sim uma lesão miocárdica secundária à inflamação.
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