Pericardite Aguda: Diagnóstico e Tratamento Inicial

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026

Enunciado

Homem, 35 anos de idade, apresenta queixa de dor torácica ventilatório dependente há 6 horas. Realiza o eletrocardiograma a seguir: A próxima conduta nesse momento é:

Alternativas

  1. A) Colchicina.
  2. B) Prednisona.
  3. C) Imunossupressor, se biópsia miocárdica mostrar miocardite de células gigantes.
  4. D) AAS, clopidogrel, metoprolol e enoxaparina.
  5. E) AAS, clopidogrel, metoprolol e angioplastia primária.

Pérola Clínica

Dor pleurítica + Supra de ST difuso côncavo + Infra de PR = Pericardite Aguda.

Resumo-Chave

A pericardite aguda é tratada inicialmente com AINEs (ou Aspirina) associados à colchicina para reduzir a inflamação, aliviar sintomas e prevenir recorrências.

Contexto Educacional

A pericardite aguda é uma causa comum de dor torácica em adultos jovens, frequentemente de etiologia viral ou idiopática. O quadro clínico clássico envolve dor que piora com a inspiração profunda e melhora ao inclinar o tronco para frente (posição prece maometana). O diagnóstico é clínico-eletrocardiográfico. O tratamento de primeira linha baseia-se em anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) em doses elevadas (como Ibuprofeno ou Aspirina) associados à colchicina por 3 meses. O uso de corticoides deve ser evitado na fase inicial, pois está associado a um maior risco de cronificação e recorrência da doença, sendo reservado para casos específicos como doenças autoimunes ou contraindicação aos AINEs.

Perguntas Frequentes

Quais os achados clássicos do ECG na pericardite?

O ECG da pericardite aguda evolui em quatro estágios. No estágio 1 (inicial), observa-se elevação difusa do segmento ST com concavidade voltada para cima (em quase todas as derivações, exceto aVR e V1) e depressão do segmento PR. O infra de PR é um sinal altamente específico para inflamação atrial na pericardite.

Por que usar colchicina na pericardite?

A colchicina atua inibindo a polimerização da tubulina e a ativação de inflamassomas. Estudos como o COPE e CORE demonstraram que a adição de colchicina ao tratamento padrão com AINEs ou aspirina reduz significativamente a persistência dos sintomas e a taxa de recorrência da pericardite.

Quando suspeitar de miopericardite?

Deve-se suspeitar de miopericardite quando o paciente apresenta critérios para pericardite aguda associados à elevação de biomarcadores de injúria miocárdica (Troponinas) ou evidência de disfunção ventricular em exames de imagem, indicando que o processo inflamatório atingiu o miocárdio adjacente.

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