HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2025
José, 65 anos, com antecedente de hipertensão arterial sistémica e doença renal crônica estágio III. Procura o pronto-socorro com queixa de dor torácica aguda retroesternal há 3 horas. O paciente nega dispneia, tosse ou febre. Refere que apresenta melhora direta da dor quando se senta inclinado para frente. Ao exame físico, apresentou sinais vitais normais, bom estado geral, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Radiografia de tórax normal. O eletrocardiograma é apresentado a seguir: Com base nessas informações, assinale a alternativa que apresenta a conduta farmacológica adequada.
Pericardite aguda com DRC estágio III e dor torácica aliviada ao inclinar-se → considerar Prednisona se AINEs contraindicados ou refratários.
O quadro clínico sugere pericardite aguda. Embora AINEs sejam a primeira linha, a presença de doença renal crônica estágio III pode contraindicar ou limitar seu uso. Nesses casos, ou em pericardite refratária/autoimune, corticosteroides como a Prednisona podem ser indicados.
A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração, e é uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens e de meia-idade. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico diferencial com outras causas de dor torácica, como infarto agudo do miocárdio, e no manejo adequado para prevenir recorrências e complicações como o tamponamento cardíaco. A epidemiologia mostra que a maioria dos casos é idiopática ou viral, mas outras etiologias incluem doenças autoimunes, uremia e pós-infarto. A fisiopatologia envolve a inflamação do pericárdio, que leva ao acúmulo de líquido e dor. O diagnóstico é clínico, baseado na dor torácica pleurítica que melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente, atrito pericárdico e alterações eletrocardiográficas (elevação difusa do segmento ST com concavidade para cima). A suspeita deve ser alta em pacientes com dor torácica atípica para angina e sem fatores de risco coronariano clássicos. Exames complementares como ecocardiograma podem mostrar derrame pericárdico. O tratamento padrão inclui AINEs e colchicina. No entanto, em pacientes com comorbidades como doença renal crônica (DRC) estágio III, o uso de AINEs deve ser cauteloso devido ao risco de nefrotoxicidade. Nesses cenários, ou em casos de pericardite refratária, autoimune ou urêmica, os corticosteroides como a Prednisona podem ser uma alternativa terapêutica. O prognóstico é geralmente bom, mas as recorrências são comuns, e a colchicina é fundamental para preveni-las. Residentes devem estar atentos às contraindicações e interações medicamentosas ao escolher a terapia mais adequada para cada paciente.
A pericardite aguda tipicamente se manifesta com dor torácica pleurítica, retroesternal, que piora com a inspiração profunda e melhora ao sentar-se inclinado para frente. Pode haver febre, atrito pericárdico à ausculta e alterações no ECG, como elevação difusa do segmento ST.
A conduta de primeira linha para pericardite aguda é geralmente o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) em altas doses, como ibuprofeno, associados à colchicina. A colchicina reduz a taxa de recorrência e acelera a resolução dos sintomas.
A Prednisona (corticosteroide) é geralmente reservada para casos de pericardite refratária aos AINEs e colchicina, pericardite autoimune, ou quando há contraindicações formais aos AINEs, como sangramento gastrointestinal ativo ou doença renal crônica avançada, onde o risco-benefício é favorável.
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