UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Homem de 40 anos refere dor precordial de forte intensidade iniciada há oito horas. Seu eletrocardiograma mostra elevação difusa do segmento ST em D1, D2, e AVF, e de V2 a V6, com depressões recíprocas em V1 e aVR. Questiona-se haver infradesnivelamento do segmento PR. Tem pequena elevação de troponina sérica (paciente = 0,05 e corte normal de referência = 0,04 ng/mL). O ecocardiograma revela derrame pericárdico de leve a moderado. O melhor tratamento inicial nesse caso seria iniciar:
Supra ST difuso + Infra PR + Dor pleurítica → Pericardite Aguda (Tratamento: AINE + Colchicina).
A pericardite aguda apresenta-se com dor torácica característica e alterações eletrocardiográficas difusas. A associação de colchicina ao AINE reduz recorrências e acelera a remissão.
A pericardite aguda é uma síndrome inflamatória do pericárdio que pode ser idiopática ou secundária a infecções (principalmente virais), doenças autoimunes ou uremia. O diagnóstico clínico baseia-se nos critérios de Diamond-Fowler, exigindo pelo menos dois de quatro: dor torácica pleurítica, atrito pericárdico, alterações eletrocardiográficas típicas ou derrame pericárdico novo/piorado. O tratamento de primeira linha envolve o uso de AINEs em doses anti-inflamatórias (como Ibuprofeno ou AAS) associados à colchicina por 3 meses. A restrição de atividade física é fundamental até a resolução dos sintomas e normalização dos marcadores inflamatórios para prevenir complicações como a pericardite constritiva ou recorrências crônicas.
A colchicina é recomendada como terapia adjuvante aos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) na pericardite aguda porque demonstrou reduzir significativamente as taxas de recorrência e aumentar a taxa de remissão em comparação com o uso isolado de AINEs. Ela atua inibindo a polimerização da tubulina e a ativação do inflamassoma, modulando a resposta inflamatória pericárdica.
Na pericardite aguda, a elevação do segmento ST é tipicamente difusa (não respeita uma parede coronariana específica), côncava ('em sela') e frequentemente acompanhada de infradesnivelamento do segmento PR. No IAM, o supra de ST é convexo, localizado em derivações correspondentes a um território arterial e apresenta imagens em espelho (infradesnivelamento recíproco).
Uma leve elevação de troponina sugere o envolvimento do miocárdio adjacente, caracterizando uma miopericardite. Embora indique inflamação miocárdica, se a função ventricular estiver preservada e não houver sinais de insuficiência cardíaca, o tratamento base permanece o mesmo da pericardite aguda, focando no controle inflamatório.
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