Pericardite Aguda: Sinais Clínicos e Achados no ECG

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2015

Enunciado

Paciente refere dor torácica não relacionada com esforço há 3 dias, ainda se queixando de quadro compatível com virose na semana anterior. Apresenta, também, mal-estar e dispneia, melhora do quadro em posição gênito peitoral. Assim, temos como principal hipótese diagnóstica um quadro de pericardite. Qual dos achados abaixo NÃO é compatível?

Alternativas

  1. A) ECG com supra de segmento ST.
  2. B) Atrito pericárdico audível.
  3. C) Variação de timbre de ausculta dependendo do momento e do examinador.
  4. D) Hiperfonese de bulhas cardíacas.

Pérola Clínica

Pericardite aguda → dor torácica pleurítica, melhora em posição gênito-peitoral, atrito pericárdico, supra de ST difuso no ECG.

Resumo-Chave

A hiperfonese de bulhas cardíacas NÃO é compatível com pericardite, especialmente se houver derrame pericárdico, que tende a causar hipofonese das bulhas. Os outros achados (supra de ST, atrito, variação de timbre) são característicos da pericardite.

Contexto Educacional

A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, frequentemente de etiologia viral (como no caso da virose prévia), que se manifesta com dor torácica aguda. É uma condição comum que exige diferenciação de outras causas de dor torácica, como o infarto agudo do miocárdio, sendo um tema crucial para a formação médica. A dor torácica na pericardite é tipicamente pleurítica, retroesternal, com irradiação para o trapézio, e piora com a inspiração profunda, tosse e decúbito dorsal, aliviando-se na posição sentada e inclinada para frente (posição gênito-peitoral). Ao exame físico, o atrito pericárdico é um achado patognomônico, embora possa ser intermitente e variar de timbre. No eletrocardiograma (ECG), o achado clássico é o supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade para cima, acompanhado de depressão do segmento PR, que reflete a inflamação atrial. A hiperfonese de bulhas cardíacas, mencionada como a alternativa incorreta, é um achado que não se associa à pericardite. Pelo contrário, em casos de derrame pericárdico significativo (uma complicação da pericardite), as bulhas cardíacas podem tornar-se hipofonéticas devido à interposição de líquido entre o coração e a parede torácica. O tratamento da pericardite aguda geralmente envolve AINEs e colchicina, com acompanhamento para identificar e tratar possíveis complicações como o tamponamento cardíaco.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas característicos da pericardite aguda?

A dor torácica é o sintoma principal, geralmente pleurítica, retroesternal, que irradia para o trapézio, piora com a inspiração profunda e melhora na posição sentada e inclinada para frente (gênito-peitoral). Febre e mal-estar também são comuns.

Quais achados no ECG são sugestivos de pericardite?

O ECG tipicamente mostra supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade para cima em várias derivações, exceto aVR e V1, e depressão do segmento PR, que reflete a inflamação atrial. Não há ondas Q patológicas ou alterações recíprocas.

O que é o atrito pericárdico e qual sua importância?

O atrito pericárdico é um som áspero, trifásico (sistólico, diastólico precoce e diastólico tardio), audível na ausculta cardíaca, que resulta do atrito das camadas pericárdicas inflamadas. É patognomônico da pericardite, mas pode ser transitório e variar de timbre.

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