Pericardite Aguda: Diagnóstico Eletrocardiográfico Chave

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 58 anos, sexo masculino, portador de fibrilação atrial paroxística, hipertensão arterial sistêmica estágio 2, hipercolesterolemia isolada, obeso e sedentário. Apresenta episódio de dor torácica de início em repouso há 30 minutos, com irradiação para o dorso, associado a palpitações e sudorese. Chega ao pronto atendimento da UPA em zona rural e realiza o eletrocardiograma de repouso a seguir.Segundo as diretrizes nacionais e internacionais, a conduta primordial para o caso clínico é:

Alternativas

  1. A) encaminhamento para um hospital terciário em até 6 horas.
  2. B) administração de fibrinolítico endovenoso.
  3. C) administração de heparina de baixo peso molecular endovenosa.
  4. D) encaminhamento a hospital terciário para a realização de angiotomografia.
  5. E) encaminhamento para realização de ecocardiograma transesofágico e cardioversão elétrica.

Pérola Clínica

Dor torácica pleurítica + Supra ST difuso + Infra PR → Pericardite aguda.

Resumo-Chave

O supradesnivelamento difuso do segmento ST, acompanhado de infradesnivelamento do segmento PR, é um achado eletrocardiográfico clássico de pericardite aguda. A dor torácica é tipicamente pleurítica e pode irradiar para o dorso ou trapézio.

Contexto Educacional

A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. É uma causa comum de dor torácica em pacientes jovens e de meia-idade, embora possa ocorrer em qualquer idade. A dor é tipicamente pleurítica, aguda, retroesternal, com irradiação para o ombro esquerdo ou trapézio, e piora com a inspiração profunda, tosse ou decúbito dorsal, aliviando ao sentar e inclinar-se para frente. O eletrocardiograma (ECG) é uma ferramenta diagnóstica crucial. Os achados clássicos incluem supradesnivelamento difuso do segmento ST, geralmente côncavo para cima, em múltiplas derivações (exceto aVR e V1), e infradesnivelamento do segmento PR, que é patognomônico. A presença de fibrilação atrial paroxística no histórico do paciente não é um achado típico de pericardite, mas a dor torácica e as alterações do ECG são altamente sugestivas. A conduta primordial para a pericardite aguda, uma vez diagnosticada, é o tratamento anti-inflamatório. Fibrinolíticos são contraindicados, pois não há oclusão coronariana. O encaminhamento para angiotomografia ou ecocardiograma transesofágico não é a conduta inicial primordial, embora o ecocardiograma possa ser útil para avaliar derrame pericárdico. A administração de fibrinolítico endovenoso seria uma conduta para infarto agudo do miocárdio com supra de ST, que deve ser diferenciado da pericardite.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pericardite aguda?

Os critérios incluem dor torácica pleurítica, atrito pericárdico, alterações eletrocardiográficas (supra ST difuso, infra PR) e derrame pericárdico (no ecocardiograma).

Qual a conduta inicial para pericardite aguda?

A conduta inicial envolve o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) em altas doses, como ibuprofeno, e colchicina, que reduz a taxa de recorrência. O repouso é também fundamental.

Como diferenciar pericardite de infarto agudo do miocárdio no ECG?

Na pericardite, o supradesnivelamento ST é difuso e côncavo para cima, frequentemente acompanhado de infradesnivelamento do PR. No IAM, o supra ST é regionalizado, convexo para cima e pode haver ondas Q patológicas.

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