Pericardite Aguda: Diagnóstico, Sinais e Complicações Graves

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente, 7 anos, do sexo feminino, iniciou quadro de dor torácica, descrita pela criança como “esfaqueamento”, com piora quando em decúbito dorsal e aliviada ao sentar-se ou inclinar-se para a frente. A mãe informa que há 2 semanas o paciente apresentou quadro de infecção da via aérea superior. Na ausculta cardíaca é notada fricção pericárdica. O eletrocardiograma demonstra elevação difusa do segmento ST. Considerando o diagnóstico exposto no caso, é correto afirmar que o(a)

Alternativas

  1. A) tratamento de primeira linha e de escolha para esse caso é o uso de corticoesteroides.
  2. B) presença de hipotensão artéria sistêmica, taquicardia, elevação da pressão venosa jugular e pulso paradoxal sugere uma complicação grave da pericardite que é o tamponamento cardíaco.
  3. C) diagnóstico diferencial é de infarto agudo do miocárdio devendo o paciente ser encaminhado com urgência para o cateterismo.
  4. D) causa mais comum de pericardite é a bacteriana, relacionada ao Streptococcus pneumoniae e Haemophilus.
  5. E) diagnóstico de pericardite só pode ser realizado com a realização de ecocardiograma.

Pérola Clínica

Pericardite aguda → dor pleurítica, atrito, ST difuso. Complicação grave: Tamponamento Cardíaco (Tríade de Beck + Pulso Paradoxal).

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor torácica pleurítica que piora em decúbito e melhora ao sentar, atrito pericárdico e elevação difusa do ST são clássicos de pericardite aguda. A alternativa correta descreve os sinais de tamponamento cardíaco, uma complicação grave da pericardite, que exige reconhecimento e intervenção urgentes.

Contexto Educacional

A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. É uma condição relativamente comum, frequentemente benigna e autolimitada, mas que pode ter complicações graves. A etiologia mais comum é viral (especialmente enterovírus, como Coxsackie), muitas vezes precedida por uma infecção do trato respiratório superior. O reconhecimento precoce é crucial para evitar desfechos adversos, especialmente o tamponamento cardíaco. O diagnóstico da pericardite aguda baseia-se em critérios clínicos, eletrocardiográficos e ecocardiográficos. Os sintomas incluem dor torácica pleurítica, que piora com a inspiração profunda e em decúbito dorsal, e melhora ao sentar ou inclinar-se para frente. No exame físico, o atrito pericárdico é patognomônico. O eletrocardiograma (ECG) tipicamente mostra elevação difusa e côncava do segmento ST em múltiplas derivações, além de infradesnivelamento do segmento PR. Exames laboratoriais podem revelar marcadores inflamatórios elevados (PCR, VHS) e, por vezes, elevação leve de troponina. O tratamento da pericardite aguda geralmente envolve anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e colchicina. No entanto, a principal complicação a ser monitorada é o tamponamento cardíaco, uma emergência médica caracterizada pelo acúmulo de líquido no espaço pericárdico, que impede o enchimento diastólico do coração. Os sinais de tamponamento incluem a Tríade de Beck (hipotensão, turgência jugular e abafamento de bulhas), pulso paradoxal e taquicardia. O manejo do tamponamento cardíaco é a pericardiocentese de urgência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos de pericardite aguda no exame físico e ECG?

No exame físico, a dor torácica pleurítica que melhora ao sentar e inclinar-se para frente e o atrito pericárdico são clássicos. No ECG, observa-se elevação difusa e côncava do segmento ST, frequentemente com infradesnivelamento do segmento PR.

Como o tamponamento cardíaco se manifesta clinicamente?

O tamponamento cardíaco se manifesta pela Tríade de Beck (hipotensão, turgência jugular e abafamento de bulhas cardíacas), além de taquicardia e pulso paradoxal, que é uma queda exagerada da pressão arterial sistólica durante a inspiração.

Qual a causa mais comum de pericardite aguda?

A causa mais comum de pericardite aguda é viral, frequentemente precedida por uma infecção de via aérea superior, como no caso descrito. Outras causas incluem idiopática, bacteriana, autoimune e neoplásica.

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