Perfuração Vesícula Biliar: Manejo e Prevenção de Infecção

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 60 anos com história de diabetes melitus tipo II foi submetida a uma colecistectomia eletiva videolaparoscópica. Durante a cirurgia, a vesícula biliar é perfurada, causando derramamento de bile. Qual das seguintes intervenções é mais apropriada para prevenir infecção pós-operatória?

Alternativas

  1. A) Realizar uma lavagem com soro fisiológico estéril e fechar o abdome.
  2. B) Drenagem da cavidade com fechamento temporário a vácuo.
  3. C) Suturar a perfuração, realizar colecistostomia e drenagem da via biliar.
  4. D) Deixar o abdome aberto e considerar um fechamento retardado.

Pérola Clínica

Perfuração vesícula com bile → Lavagem com soro estéril para prevenir infecção.

Resumo-Chave

Em casos de perfuração da vesícula biliar com derramamento de bile durante colecistectomia, a lavagem abundante da cavidade abdominal com soro fisiológico estéril é a medida mais eficaz para diluir e remover o conteúdo biliar, minimizando o risco de peritonite biliar e infecção pós-operatória. O fechamento primário do abdome é geralmente seguro após a lavagem adequada.

Contexto Educacional

A colecistectomia videolaparoscópica é um procedimento comum, mas a perfuração da vesícula biliar com derramamento de bile ocorre em uma porcentagem dos casos, variando de 10% a 30%. Embora nem sempre resulte em complicações graves, o derramamento de bile, especialmente se contaminada, aumenta o risco de infecção pós-operatória, como peritonite biliar e formação de abscesso. Pacientes com comorbidades como diabetes mellitus podem ter maior risco de complicações infecciosas. A fisiopatologia da infecção pós-operatória após derramamento de bile envolve a presença de bactérias na bile (mesmo em casos de colecistite crônica, a bile pode ser contaminada) e a irritação química do peritônio pela bile, que pode comprometer as defesas locais. O diagnóstico de perfuração é intraoperatório, e a intervenção deve ser imediata. A conduta mais apropriada e amplamente aceita para prevenir infecção é a lavagem abundante da cavidade abdominal com soro fisiológico estéril para remover o máximo de bile e detritos possível. O fechamento primário do abdome é a regra. A drenagem profilática não é recomendada rotineiramente, pois não demonstrou benefício e pode até aumentar o risco de infecção ou hérnia incisional. O uso de antibióticos profiláticos deve seguir as diretrizes usuais para cirurgia biliar.

Perguntas Frequentes

Qual o principal risco do derramamento de bile na cavidade abdominal?

O principal risco é o desenvolvimento de peritonite biliar, que pode levar a infecção intra-abdominal grave, formação de abscessos e sepse, aumentando a morbimortalidade pós-operatória.

Por que a lavagem com soro fisiológico é a melhor intervenção?

A lavagem abundante com soro fisiológico estéril ajuda a diluir e remover o conteúdo biliar e possíveis bactérias da cavidade peritoneal, reduzindo a carga contaminante e, consequentemente, o risco de infecção.

Quando a drenagem da cavidade abdominal seria indicada?

A drenagem é geralmente reservada para situações específicas, como abscessos pré-existentes, coleções residuais significativas, fístulas biliares ou em casos de peritonite biliar já estabelecida, não sendo uma medida profilática rotineira.

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