CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2015
Na sequência fotográfica abaixo, em um paciente com história de trauma há poucas horas, pode-se afirmar que:
Sinal de Seidel (+) → diluição da fluoresceína por humor aquoso = perfuração ocular confirmada.
O sinal de Seidel positivo é patognomônico de perfuração ocular com extravasamento de humor aquoso, exigindo intervenção cirúrgica imediata e profilaxia para endoftalmite.
O trauma ocular é uma causa significativa de morbidade visual evitável. A distinção entre trauma ocular fechado e aberto é o primeiro passo na triagem. O trauma aberto (perfuração ou penetração) é uma emergência cirúrgica devido ao risco altíssimo de endoftalmite bacteriana e perda permanente da visão por descolamento de retina ou dano estrutural. A sequência fotográfica em casos de trauma frequentemente mostra o extravasamento do aquoso, confirmando a descontinuidade da parede ocular. O manejo inicial inclui a proteção do olho com um escudo rígido (sem pressão), jejum para cirurgia, atualização da vacina antitetânica e início de antibioticoterapia sistêmica de amplo espectro que atinja bons níveis intraoculares.
O teste de Seidel é realizado aplicando-se uma fita de fluoresceína concentrada diretamente sobre o local suspeito de laceração corneana ou escleral sob a lâmpada de fenda com filtro de cobalto (luz azul). Se houver perfuração, o humor aquoso transparente que extravasa do olho diluirá o corante laranja/verde, criando um fluxo ou 'rio' de corante diluído que brilha intensamente. É um teste fundamental para diferenciar erosões epiteliais superficiais de feridas de espessura total que comprometem a integridade do globo ocular.
Além do sinal de Seidel positivo, outros sinais de alerta incluem hipotonia ocular (pressão intraocular muito baixa), câmara anterior rasa ou profunda de forma assimétrica, corectopia (pupila em formato de gota apontando para a lesão), hifema, hemorragia vítrea ou a visualização direta de conteúdo uveal (íris ou corpo ciliar) herniado pela ferida. Em traumas de alta energia, a ausência de sinais óbvios não exclui perfuração, sendo necessária a exploração cirúrgica se a suspeita clínica for alta.
Adesivos teciduais, como o cianoacrilato, são indicados para o fechamento de pequenas perfurações corneanas (geralmente menores que 1-2 mm) ou em casos de afinamento corneano progressivo com risco de perfuração iminente. Eles servem como uma ponte temporária para permitir a cicatrização ou até que um transplante de córnea possa ser realizado. No entanto, em traumas agudos com lacerações extensas ou presença de corpo estranho intraocular, a sutura cirúrgica primária é o tratamento de escolha para restaurar a integridade anatômica.
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