Perfuração Gastrointestinal: Diagnóstico e Sinais Chave

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 52 anos, procura atendimento médico de urgência queixando-se de dor torácica de início há 30 minutos. Relata dor intensa (8/10), em facada, súbita, na região esternal e epigástrica, sem irradiação, associada à episódios de vômitos, sudorese fria e queda do estado geral. É obesa, dislipidêmica, hipertensa, diabética e faz acompanhamento de artrite reumatoide. Faz uso regular de atorvastatina, enalapril, hidralazina, anlodipino, metformina e fórmula diária contendo famotidina, cetorolaco e diclofenaco. É admitida em sala de emergência hipotensa, taquicardica, taquipneica e febril. Ao exame físico: regular estado geral, corada, desidratada. anictérica, acianótica. Bullhas rítmicas, taquicárdicas, sem sopros. Sem alterações pulmonares. Abdome com ruídos, flácido, depressível, doloroso difusamente, sem sinais de irritação peritoneal. Foi realizado monitorização em sala de emergência, puncionado acessos periféricos e infundido expansão com cristaloides, ofertado oxigênio e coletado exames laboratoriais. Realizou também a radiografia de tórax e o eletrocardiograma abaixo. Assinale a principal hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) Infarto agudo do miocárdio sem supra desnivelamento do segmento ST.
  2. B) Infarto agudo do miocárdio com supra desnivelamento do segmento ST.
  3. C) Tromboembolismo pulmonar agudo.
  4. D) Perfuração gastrointestinal.

Pérola Clínica

Dor súbita em facada + uso crônico de AINEs + sinais de sepse/peritonite → Alta suspeita de perfuração gastrointestinal.

Resumo-Chave

A dor súbita em facada, epigástrica, associada ao uso crônico de AINEs (cetorolaco, diclofenaco) e sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia) e inflamação sistêmica (febre) são altamente sugestivos de perfuração de víscera oca, como uma úlcera péptica perfurada.

Contexto Educacional

A perfuração gastrointestinal é uma emergência cirúrgica grave, caracterizada pela ruptura da parede de uma víscera oca do trato gastrointestinal, resultando no extravasamento de conteúdo luminal para a cavidade peritoneal. A etiologia mais comum é a úlcera péptica perfurada, frequentemente associada ao uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou infecção por H. pylori. A condição exige reconhecimento rápido e intervenção cirúrgica para evitar complicações como sepse e choque. A apresentação clínica típica inclui dor abdominal súbita e intensa, em facada, que pode se iniciar no epigástrio e se generalizar. Sinais de irritação peritoneal (dor à descompressão, defesa abdominal) podem estar presentes, embora nem sempre evidentes inicialmente. Sinais sistêmicos como hipotensão, taquicardia e febre indicam resposta inflamatória sistêmica e possível sepse. O uso de AINEs, como cetorolaco e diclofenaco, é um fator de risco significativo para úlceras e suas complicações. O diagnóstico é clínico, complementado por exames de imagem. A radiografia de tórax em posição ortostática pode revelar pneumoperitônio (ar subdiafragmático), um sinal clássico. A tomografia computadorizada é mais sensível para detectar pequenas perfurações e coleções. O tratamento definitivo é cirúrgico, visando fechar a perfuração e limpar a cavidade abdominal, além de suporte clínico intensivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para perfuração gastrointestinal?

Os principais fatores de risco incluem uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), infecção por H. pylori, tabagismo, etilismo e estresse fisiológico grave.

Como a dor de uma perfuração gastrointestinal se apresenta?

A dor é classicamente súbita, intensa, em facada, localizada inicialmente no epigástrio e que pode se generalizar com o desenvolvimento de peritonite.

Por que a radiografia de tórax é importante na suspeita de perfuração?

A radiografia de tórax pode revelar pneumoperitônio (ar subdiafragmático), um sinal patognomônico de perfuração de víscera oca, auxiliando no diagnóstico rápido.

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