Perfuração Gástrica: Diagnóstico e Manejo em Emergência

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 45 anos de idade procura a unidade de emergência por dor abdominal há três dias. Relata que a dor é mais intensa em epigástrio e hipocôndrio direito, associada a náuseas. Nega episódios prévios. Tem antecedente pessoal de colecistectomia videolaparoscópica eletiva há 5 anos por colelitíase sintomática, sem intercorrências. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, corada e anictérica. Abdome globoso, flácido, doloroso à palpação de epigástrio e hipocôndrio direito, com sinais de peritonismo à palpação do epigástrio. Os exames laboratoriais evidenciam: hemoglobina 12,2g/dL; leucócitos 13.300/mm³; creatinina 0,6mg/dL; ureia 24mg/dL; proteína C reativa 50mg/L; TGO 30U/L; TGP 60U/L; fosfatase alcalina 67U/L e gama-GT 89U/L, com eletrólitos e bilirrubinas normais. Realizou tomografia computadorizada de abdome total mostrada a seguir: Qual é o diagnóstico da paciente?

Alternativas

  1. A) Perfuração gástrica por corpo estranho.
  2. B) Coledocolitíase por cálculo neoformado.
  3. C) Síndrome pós-colecistectomia.
  4. D) Pancreatite aguda por cálculo residual.

Pérola Clínica

Dor epigástrica intensa + peritonismo + leucocitose + PCR ↑ + TC com perfuração = Abdome agudo perfurativo.

Resumo-Chave

A presença de dor abdominal intensa com sinais de peritonismo, leucocitose e PCR elevada, mesmo após colecistectomia, sugere um quadro de abdome agudo. A localização da dor em epigástrio e hipocôndrio direito, combinada com a inflamação sistêmica, aponta para uma perfuração de víscera oca, como a gástrica, que seria confirmada pela tomografia.

Contexto Educacional

A dor abdominal aguda é uma das queixas mais comuns em unidades de emergência, exigindo uma avaliação rápida e precisa para identificar condições que necessitam de intervenção cirúrgica. A anamnese detalhada, incluindo antecedentes cirúrgicos, e um exame físico minucioso são cruciais. Sinais de peritonismo, como dor à descompressão e defesa abdominal, são indicativos de irritação peritoneal e sugerem um quadro de abdome agudo cirúrgico. Neste caso, a paciente apresenta dor epigástrica e em hipocôndrio direito, com peritonismo e marcadores inflamatórios elevados (leucocitose, PCR alta). Embora tenha histórico de colecistectomia, os sintomas e sinais não se encaixam tipicamente em uma síndrome pós-colecistectomia simples. A ausência de icterícia e enzimas hepáticas e biliares normais (TGO, TGP, FA, GGT, bilirrubinas) afasta coledocolitíase ou pancreatite biliar como causas primárias. A descrição clínica, especialmente a dor intensa, peritonismo e inflamação sistêmica, é altamente sugestiva de um abdome agudo perfurativo. A tomografia computadorizada de abdome total é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico de perfuração de víscera oca, como a gástrica, que pode ser causada por um corpo estranho ingerido. A presença de ar livre na cavidade abdominal (pneumoperitônio) na TC seria o achado mais característico. O manejo de uma perfuração gástrica é cirúrgico e emergencial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de perfuração gástrica?

Os sinais clínicos incluem dor abdominal súbita e intensa, frequentemente em epigástrio, com irradiação, náuseas, vômitos e sinais de peritonismo, como dor à descompressão e defesa abdominal.

Como a tomografia computadorizada auxilia no diagnóstico de perfuração gástrica?

A TC de abdome total é fundamental para confirmar a perfuração, evidenciando pneumoperitônio (ar livre na cavidade abdominal), espessamento da parede gástrica, coleções líquidas e, por vezes, o próprio corpo estranho.

Qual a conduta inicial para uma perfuração gástrica?

A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica, analgesia, antibioticoterapia de amplo espectro e preparo para intervenção cirúrgica de emergência para reparo da perfuração e lavagem da cavidade abdominal.

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