Perfuração Esofágica Pós-EDA: Sinais e Conduta Urgente

Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente do sexo masculino, 63 anos, chega com dor torácica aguda e hipotensão após endoscopia digestiva alta que relatou esôfago de Barrett extenso. A radiografia de tórax demonstra pneumomediastino. Qual a principal suspeita e conduta?

Alternativas

  1. A) Pneumonia por broncoaspiração; iniciar antibióticos e observar.
  2. B) Perfuração esofágica; indicação de intervenção cirúrgica de urgência após avaliação detalhada (TC e/ou esofagografia hidrossolúvel).
  3. C) Infarto agudo do miocárdio; realizar eletrocardiograma e enzimas cardíacas.
  4. D) Dissecção de aorta; solicitar angiotomografia de aorta.

Pérola Clínica

Dor torácica + hipotensão + pneumomediastino após endoscopia = perfuração esofágica até prova em contrário.

Resumo-Chave

O pneumomediastino (ar no mediastino) visível na radiografia de tórax após um procedimento endoscópico é um sinal patognomônico de perfuração esofágica. A instabilidade hemodinâmica (hipotensão) indica mediastinite e sepse em evolução, exigindo diagnóstico rápido e intervenção cirúrgica de urgência.

Contexto Educacional

A perfuração esofágica é uma emergência cirúrgica com alta morbimortalidade. Embora possa ocorrer espontaneamente (Síndrome de Boerhaave), a causa mais comum é a iatrogenia durante procedimentos como a endoscopia digestiva alta (EDA), especialmente em esôfagos com patologias prévias como estenoses ou tumores. O diagnóstico precoce e o tratamento agressivo são cruciais para um bom prognóstico. A apresentação clínica clássica envolve dor torácica ou epigástrica súbita e intensa, que pode irradiar para o dorso. Sinais como enfisema subcutâneo no pescoço, taquicardia, febre e instabilidade hemodinâmica (hipotensão) indicam a progressão para mediastinite e sepse. O achado de pneumomediastino na radiografia de tórax em um paciente com essa história é altamente sugestivo e praticamente confirma o diagnóstico. A confirmação e a localização da perfuração são feitas com exames de imagem contrastados, como a tomografia computadorizada de tórax com contraste oral ou a esofagografia com contraste hidrossolúvel. O tratamento depende do tamanho, localização da perfuração e condição clínica do paciente, mas em casos de instabilidade e contaminação significativa, a abordagem cirúrgica de urgência com reparo primário e drenagem do mediastino é a conduta de escolha.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais radiológicos de perfuração esofágica?

O principal sinal na radiografia de tórax é o pneumomediastino (ar livre no mediastino). Outros achados podem incluir enfisema subcutâneo cervical, alargamento da silhueta mediastinal e derrame pleural, que é mais comum à esquerda para perfurações do esôfago distal.

Por que se utiliza contraste hidrossolúvel para confirmar a perfuração esofágica?

O contraste hidrossolúvel (iodado) é preferível ao sulfato de bário porque, se extravasar para o mediastino, causa uma reação inflamatória (mediastinite química) muito menos intensa. O bário é extremamente irritante para os tecidos mediastinais e pode causar uma mediastinite grave e de difícil tratamento.

Qual a conduta imediata na suspeita de perfuração esofágica?

A conduta inicial é a 'ressuscitação' do paciente: mantê-lo em jejum absoluto, iniciar antibioticoterapia de amplo espectro (cobrir gram-positivos, negativos e anaeróbios da flora oral), fornecer suporte hemodinâmico com fluidos e, se necessário, vasopressores. Simultaneamente, devem ser solicitados exames de imagem confirmatórios (TC de tórax e/ou esofagografia) para planejar a intervenção definitiva.

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