IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2024
Um homem com 27 anos é levado para a emergência em razão de dor grave no tórax e no abdômen superior. É diagnosticado com perfuração esofágica. Sobre essa condição, assinale a afirmativa correta.
Perfuração esofágica → Reanimação ABC + ATB + Cirurgia imediata.
A perfuração esofágica é uma emergência grave que exige reconhecimento e tratamento rápidos. A reanimação inicial, antibioticoterapia de amplo espectro e a preparação para intervenção cirúrgica são pilares do manejo, visando controlar a sepse e reparar a lesão para evitar complicações fatais.
A perfuração esofágica é uma condição rara, mas extremamente grave, com alta morbimortalidade se não for diagnosticada e tratada prontamente. Embora o traumatismo iatrogênico (durante endoscopia ou cirurgia) seja a causa mais comum, rupturas espontâneas (Síndrome de Boerhaave), vômitos violentos, ingestão de cáusticos ou corpos estranhos também podem levar à perfuração. A apresentação clínica pode ser variada, mas a dor torácica ou abdominal superior súbita e intensa é um sintoma cardinal, exigindo alta suspeição. Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente essa emergência. A fisiopatologia da perfuração esofágica envolve o extravasamento de conteúdo gastrointestinal (saliva, alimentos, suco gástrico) para o mediastino, espaço pleural ou peritônio, levando a uma resposta inflamatória intensa, mediastinite, pleurite, peritonite e sepse. A maioria das rupturas espontâneas ocorre no terço distal do esôfago, onde a parede é mais fina e não é coberta por serosa. O diagnóstico precoce é fundamental e geralmente envolve exames de imagem como a esofagografia com contraste hidrossolúvel ou a tomografia computadorizada de tórax e abdômen. A ressonância nuclear magnética não é o teste inicial de escolha devido à sua menor disponibilidade e tempo de aquisição. Uma vez diagnosticada, o tratamento da perfuração esofágica é uma emergência cirúrgica. Os tratamentos iniciais incluem reanimação imediata (com base no ABC), estabilização hemodinâmica, início de antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir a flora polimicrobiana e preparação para cirurgia. O objetivo é conter o extravasamento, drenar coleções e reparar a lesão. O prognóstico está diretamente relacionado ao tempo decorrido entre a perfuração e o início do tratamento; quanto maior o atraso, pior o prognóstico devido à progressão da infecção e sepse. Portanto, a agilidade no diagnóstico e na intervenção é o fator mais crítico para a sobrevida do paciente.
Os sintomas incluem dor torácica e abdominal superior súbita e intensa, disfagia, odinofagia, taquicardia, taquipneia, febre e, em casos mais avançados, sinais de sepse. Pode haver enfisema subcutâneo no pescoço ou tórax e crepitação à palpação.
A conduta inicial envolve reanimação imediata com base no ABC (vias aéreas, respiração, circulação), estabilização hemodinâmica, início de antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir flora oral e gastrointestinal, e preparação urgente para intervenção cirúrgica ou endoscópica.
O melhor teste diagnóstico inicial é geralmente a esofagografia com contraste hidrossolúvel, que pode demonstrar o extravasamento. A tomografia computadorizada de tórax e abdômen com contraste oral e intravenoso também é muito útil para localizar a perfuração e avaliar a extensão da contaminação mediastinal e pleural.
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