Perfuração Duodenal Pós-CPRE: Diagnóstico e Manejo

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 22 anos de idade, internada por icterícia obstrutiva por coledocolitiase, foi submetida a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE). O procedimento foi de difícil realização devido a cálculos grandes, sendo necessária a realização de papilotomia ampla e remoção dos cálculos com auxílio de balão extrator. Imediatamente após o procedimento, a paciente acordou referindo dor em andar superior do abdome, de forte intensidade, sem náuseas ou vômitos. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, estável hemodinamicamente, com dor epigástrica à palpação profunda, sem sinais de irritação peritoneal. Realizou a tomografia mostrada a seguir: Qual é a mais provável complicação apresentada pela paciente?

Alternativas

  1. A) Pseudoaneurisma de artéria gastroduodenal
  2. B) Pancreatite aguda
  3. C) Colangite aguda
  4. D) Perfuração duodenal retroperitoneal

Pérola Clínica

Dor epigástrica intensa pós-CPRE + papilotomia ampla → suspeitar perfuração duodenal retroperitoneal.

Resumo-Chave

A perfuração duodenal retroperitoneal é uma complicação rara, mas grave da CPRE, especialmente após procedimentos complexos como papilotomia ampla e extração de cálculos grandes. A dor abdominal intensa, sem sinais claros de peritonite, deve levantar a suspeita, e a tomografia é crucial para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) é um procedimento terapêutico essencial para doenças biliares e pancreáticas, como a coledocolitíase. Apesar de sua eficácia, a CPRE não é isenta de riscos, e as complicações podem ser graves. A perfuração duodenal é uma das complicações mais temidas, com uma incidência que varia de 0,1% a 1%. A perfuração duodenal durante ou após a CPRE pode ocorrer por trauma mecânico do endoscópio, do fio-guia, do balão extrator ou, mais comumente, pela papilotomia excessiva. As perfurações retroperitoneais, como as que ocorrem na parede posterior do duodeno, podem ter uma apresentação clínica insidiosa, com dor abdominal atípica e sem sinais claros de peritonite, dificultando o diagnóstico precoce. A tomografia computadorizada é o exame de imagem de escolha para confirmar a perfuração e guiar a conduta. O manejo da perfuração duodenal pós-CPRE depende da sua localização e extensão. Perfurações pequenas e retroperitoneais, sem sinais de sepse ou peritonite generalizada, podem ser tratadas conservadoramente com jejum, antibióticos e drenagem percutânea, se necessário. No entanto, perfurações maiores ou com sinais de sepse exigem intervenção cirúrgica imediata. O reconhecimento precoce e a avaliação adequada são cruciais para um desfecho favorável.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de perfuração duodenal após CPRE?

Os sinais incluem dor abdominal intensa e súbita, geralmente epigástrica, que pode ser atípica e sem náuseas/vômitos. Sinais de irritação peritoneal podem estar ausentes em perfurações retroperitoneais.

Qual o papel da tomografia no diagnóstico de perfuração pós-CPRE?

A tomografia computadorizada é fundamental para confirmar a perfuração, identificar a localização (intraperitoneal ou retroperitoneal) e avaliar a extensão do extravasamento de contraste ou ar, guiando a conduta.

Como diferenciar perfuração de pancreatite aguda pós-CPRE?

A pancreatite aguda pós-CPRE geralmente cursa com dor epigástrica, náuseas e vômitos, e elevação de amilase/lipase. A perfuração pode ter dor mais súbita e intensa, sem náuseas/vômitos, e a tomografia é decisiva para a diferenciação.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo